A Questão Divina

A questão da religiosidade e da crença em Deus tem me incomodado um pouco ultimamente. Na maior parte das vezes eu prefiro simplesmente não manifestar minha opinião. Não é incomum que pessoas religiosas ou mesmo crentes em um Deus com os três O’s (onisciência, onipotência e onipresença) se ofendam quando alguém discorda do modo como eles veem a questão divina. Mas para cada silêncio educado, mais um tempo eu tinha para pensar a respeito, e agora eu acho que finalmente cheguei a algum lugar.

Até há pouco tempo eu acreditava que não havia um deus com os três O’s, mas sim uma força da natureza que determinava os eventos que dependiam do acaso. Como no fundo são todas grandezas físicas, como a gravidade e o tempo eu achava que essas forças eram o deus, uma espécie de força que regia o universo com cordões invisíveis, mas que não tinha consciência sequer da sua própria existência. E a fundamentação dessa idéia maluca passa pela teoria do Big Bang. Qualquer detalhamento disso vai entrar numa discussão amalucada que eu não quero ter, por uma razão bem simples, mas que vai gerar discussão por um longo tempo.

Me decidi pelo ateísmo.

Para crer nas forças do universo como eu tava fazendo e me dar ao trabalho de dar a elas o nome de deus, é melhor simplificar e partir do princípio que Deus simplesmente não existe. Roubando a idéia do Carl Sagan, aplico o princípio da Navalha de Occam para explicar o fenômeno da existência divina. Qualquer coisa que eu disser para explicar minha decisão será redundante. Deus não existe, o universo é mais simples sem a existência d’Ele.

Nunca foi meu forte sofrer ante a perspectiva de um castigo divino. Nunca tive medo do inferno. Sempre acreditei que o inferno somos nós, seres humanos. De uns tempos para cá, reencarnação me soava esquisito, como uma necessidade humana de manter-se vivo, de permanecer eternamente vivo, mesmo que em outra vida. Nunca acreditei em astrologia, na verdade nunca acreditei em nenhum tipo de esoterismo.

Vou continuar me permitindo usar expressões como, “meu Deus!” ou a clássica “Jesus me chicoteia!”. Não vejo razão para parar de usar o nome de Deus só porque não acredito que ele exista. Uso “puta que pariu” mesmo quando estou diante de algo que não foi parido por uma puta, ou mesmo “foda-se”, sem querer que nada se foda (se você não usa “foda-se” como interjeição, recomendo já!).

Na prática, pouca coisa vai mudar. Não me torno imoral por ser ateu. Continuo sendo o mesmo bom rapaz de sempre. Só me permiti aproveitar a estada do Richard Dawkins no Brasil e sair de vez do armário das crenças sem propósito. Para mim, Deus não está lá, e quem quiser achar que Ele está em algum, que seja feliz assim.

Só não me venha catequizar, porque eu posso parecer bastante cético, mas não duvido jamais dos efeitos de palavrões bem ditos.

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Originalmente publicado em 08 de julho de 2009.

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