Filmes da Semana – o Mito, o Provocador e a Menina

31/08/2009

Como os horários da minha vida andam bastante amalucados, me proporcionando algumas horas de janela entre o estágio e a faculdade, decidi aproveitar esse tempo e mergulhar no cinema. Aproveitando a deixa, vou tentar trazer para o blog as minhas impressões sobre cada filme. Não esperem resenhas imparciais, são as minhas impressões, rascunhos toscos de um sujeito que gosta para cacete de cinema, mas que tá longe de entender profundamente da arte.

Coração Vagabundo começa com o Caetano Veloso sem roupa, mas é no decorrer do filme que ele fica nu de verdade. Quando fala claramente, Caetano é um grande frasista. Tem duas passagens fantásticas para mim: na primeira Caetano diz que não pretende ser um mito obscuro, que isso ele deixa para o Bob Dylan, numa grande autocrítica inconsciente; o outro momento genial é a resposta que ele dá a Hermeto Paschoal, que o havia chamado de “musiquinho”, uma aula de retórica. Há sinceridade nas palavras do músico, mesmo quando ele diz que não quer falar nada. Ah, e a Paula Lavigne aparece e de uns tempos pra cá eu a tenho achado um mulherão. Vejam o filme, mesmo que seja em casa.

Bruno é mais um filme do Sacha Baron Cohen feito para constranger os incautos. As piadas são muito mais grosseiras que as do filme anterior, Borat, só que dessa vez eu fiquei muito mais constrangido que qualquer participante involuntário do filme. As piadas de Sacha são grosseiras sim, mas as críticas nas entrelinhas são de uma sutileza que fez meu estômago revirar. Saí do cinema estarrecido e com muita vergonha, mas não era vergonha alheia. Veja se você não tem pudores e nem vergonha na cara.

Eu fiquei muito surpreso com À Deriva, o filme do Heitor Dhalia. Eu fui assistir mais pela conveniência do horário da sessão e acabei assistindo a um belíssimo filme. Um elenco afiadinho, uma fotografia espetacular, trilha sonora agradável e cenas simples, mas bonitas. O roteiro engana a gente, fugindo na última hora de soluções que seriam fáceis, mas clichês. E o Vincent Cassel fala português direitinho, e eu fico me perguntando por que diabos ele perdeu tempo aprendendo português sendo casado com uma mulher daquelas. Vá ver correndo o filme, brasileiro da melhor qualidade.

Na próxima vou tentar ver dois infernos bastante diferentes, mas não posso prometer nada. Só garanto que pelo menos dois filmes estarão aqui.


Mea Culpa

30/08/2009

Com aulas e estágio, ficou difícil manter um ritmo pelo menos razoável de posts por aqui. A culpa é minha, por não saber organizar meu tempo de maneira a não frustrar meus poucos, porém fiéis leitores.

Mas se serve de consolo, eu vou criar uma coluna aqui no blog. Não vai ser grandes coisas, mas espero que vocês gostem.


Onde os tolos não têm vez

20/08/2009

No último post, o Tom deixou um comentário deliberadamente provocativo, jogando na seara a briga em que Record e Globo estão envolvidas.

O Tom escreve maravilhosamente bem num blog que um dia deixará de ser bissexto. Ele é meu amigo, grande amigo, um dos melhores que eu tenho. Mas não vou cair na arapuca dele e falar sobre a briga entre as duas emissoras.

O motivo é bem simples, eu não me meto em briga de quadrilha. Não tenho cacife para tal. Sou o tipo de sujeito que dificilmente seria um consiglieri simplesmente por não ter a capacidade de discutir como ser filho da puta em larga escala? Capisci?

Podem não acreditar, mas essa é a minha opinião sobre a história toda. Talvez eu pudesse falar uma ou duas coisas, mas nada que não seja factual. Portanto não esperem que eu fale mais sobre a briga, nessa confusão não tem inocente em lado nenhum, lá, como diria a Heloísa Helena, “o mais bobo voa”.


A Morte de Pollyanna

19/08/2009

Espantou-me a quantidade de pessoas chocadas com o ocorrido hoje no senado. A única coisa que estava fora do esperado, foi a decisão do Flávio Arns de se desligar do PT, mas não pela decisão em si, mas sim pelo tempo que o nobre senador levou para descobrir que as legendas do partido mudaram bastante desde 2002.

A quantidade de manifestos de pessoas indignadas que ouvi e li por aí me levou a seguinte pergunta: fui eu quem pus um dos meus pés no niilismo, ou eu passei a vida cercado de Pollyannas sem saber?

Só precisei de cinco minutos para descobrir que as Pollyannas abundavam, mas hoje houve um verdadeiro suicídio coletivo entre elas. O “Jogo do Contente” não faz o menor sentido para quem acompanha a política nacional.


Os próximos dias serão muito sóbrios

17/08/2009

Cansado das manhãs de sábado infernais, e das ressacas morais constantes, decidi ficar um longo tempo sem beber. Quem sabe um dia eu explique direito isso, mas os detalhes são triviais. Importante mesmo é saber que me manterei limpo por um longo período.


O Dia dos Pais como um espelho de quem eu sou

09/08/2009

Eu não gosto do Dia dos Pais.

Meu pai morreu há quinze anos. Que fique claro aqui que isso não é de maneira nenhuma algo que hoje me abale. Não tenho saudades do meu pai, não sofri nenhum trauma pela falta dele, ou mesmo pelo processo que o levou a morte. Hoje eu sei exatamente em que circunstâncias meu pai morreu, mas sem que haja qualquer problema para mim.

Não me julguem um monstro. Quando meu pai morreu eu tinha acabado de completar dez anos. Lembro muito pouco do meu pai, mas o pouco que eu lembro e tudo o que sei hoje a respeito dele, é que não tínhamos uma grande identificação. Eu tinha que crescer para começar a entender o meu pai, e isso não quer dizer que ela era um sujeito complicado, longe disso a vida era muito simples para o meu pai, ele apenas não sabia como dividir a simplicidade da vida com uma criança. O que não quer dizer que meu pai tenha sido um mau pai, meu pai era um sujeito bronco, mas bastante carinhoso.

Ao longo da vida eu conheci muitos sujeitos bacanas que eram pais bacanas. Eu frequentava a vida de alguns deles, tentando ser parte da família. Em alguns casos eu cheguei a conseguir ser um membro honorário daquela família.

O problema é que no Dia dos Pais, dificilmente eu encontrava espaço para estar ali. Por mais receptiva que a família fosse comigo, eu me sentia um invasor, um parasita que ficava por ali se alimentando da felicidade de uma família que não tinha nenhuma obrigação comigo. Eu era bem tratado e querido na maior parte das vezes, mas aquele não era meu lugar de direito e me sentia incomodado.

E foi em um desses dias que eu me dei conta que no fundo eu tinha inveja. Inveja de poder comemorar o Dia dos Pais no seu devido lugar e não infiltrado em um canto que não era meu. Eu tinha inveja dos pais maravilhosos que me adotavam como um filho, mesmo sem ter nenhuma obrigação. Eu olhava para mim mesmo e via um sujeito que se apropriava da felicidade de outra família para chamar de sua, e quando isso não dava certo eu sentia um dos mais miseráveis sentimentos que alguém pode ter.

Eu não gosto do Dia dos Pais porque ele me faz ver a pessoa pequena e detestável que eu sou.


Sobre a marca lá no topo

08/08/2009

Gostaram da marca? Eu fiquei encantado, mas vindo de onde veio, não é surpresa nenhuma que eu tenha gostado.

O header novo do blog foi uma cortesia do Pedro Moura, um designer dos mais talentosos, tipógrafo genial e um puta artista. Não falo isso porque ele é um dos meus melhores amigos, eu só repito as coisas que gente muito mais gabaritada que eu disse a respeito dele.

Muito obrigado, Pedrinho. Este blog ficou muito mais bonito e charmoso e este escriba ficou muito mais feliz depois do seu presente.