Ficção

15/09/2009

Seis meses, a mulher falou enquanto eu pensava se os peitos dela eram realmente empinados daquele jeito, ou se aquele ângulo era fruto de um daqueles sutiãs de armação de arame. Eu não teria essa dúvida se a mulher tivesse seus vinte e poucos anos, teria a certeza de que a rigidez era real, e que talvez eles fosse assim, mesmo sem sutiã.

Uns milissegundos depois os peitos dela voaram do meu pensamento e finalmente o número bateu. Seis meses. Seis meses são cento e oitenta dias, cada dia tem 24 horas então 24 vezes 180… Porra, a mulher falou seis meses e eu aqui perdendo tempo fazendo contas, como se ao longo da minha vida eu tivesse sido um Stephen Hawking. Ás vezes me espanto com certos impulsos idiotas que eu tenho, e divagar sobre os peitos de uma bela balzaca na situação mais inusitada do mundo é apenas um desses impulsos.

Só que não dá para alimentar a ilusão de abstrair um número, quando ele se torna tão relevante para você. É mais ou menos como aquele telefone que você sempre liga. Já aconteceu d’eu estar viajando, e ao tentar ligar para casa eu acabei ligando automaticamente para o telefone de um amigo meu, com quem eu falava bastante na época. Mas isso foi antes do celular e do tempo transformar a nossa amizade em nada.

Não sou tão velho assim, apenas vivi o suficiente para saber que as coisas tendem a acabar. Mentira. Eu nasci velho e sei que tudo no universo acaba, até a energia dele um dia vai se dissipar até não sobrar porra nenhuma. Mas isso é física, e eu sempre fui péssimo em física. A física só me servia para açucarar roteiros de ficção científica. Tudo é finito, não há mal que sempre dure e nem bem que nunca se acabe. As coisas se quebram, as plantas morrem. Só o plástico era infinito, mas parece que até ele perdeu um pouco da sua longevidade.

E é pensar sobre o tempo que me leva de volta aos seis meses, os seis malditos meses anunciados pela balzaquiana dos peitos empinados e com um ar maroto. Não confundam maroto com sacana. Ela não tinha um sacana porque eu não estava num filme pornô, embora eu provavelmente trepasse com ela se houvesse chance. Digo mais, eu flertaria com ela se houvesse chance. O problema é que ela só era jovial, não era safada, pelo menos era o que me parecia.

A primeira conta realmente útil que eu fiz com os seis meses foi

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