Fernanda Young salvou a Playboy

A primeira vez que vi Fernanda Young foi no Jô Soares. Achei a escritora uma pseudo-intelectual que posa de “garota que foi rebelde na juventude e hoje é mulher libertária”. Não gostei do jeitinho arrogante dela e da pretensão dela em afirmar o quão inteligente ela era. Depois desse meu primeiro contato ainda pude ver uma edição do “Saia Justa” no tempo em que ela era do elenco do programa, e ler uma entrevista de Fernanda e seu marido, Alexandre Machado, em uma revista que eu não lembro bem qual era. Nada que mudasse a imagem que eu tinha dela.

Quando eu soube que Fernanda Young seria a capa da Playboy de novembro eu pensei, “Marge Simpson na edição americana, Fernanda Young na edição brasileira e com isso a Playboy se joga na sua própria sepultura.” Sim, sepultura. Sepultura criada com um padrão de beleza perfeito demais, artificial demais. Não vejo uma Playboy americana há alguns anos, mas a brasileira virou um desfile de mulheres absolutamente perfeitas em seus silicones, corpos esculpidos em academias e retocados no photoshop. Perfeitos demais para sequer parecerem reais.

Que fique claro, não sou contra a mulher sarada e siliconada, mas não consigo ver graça em uma mulher perfeita. Mulher tem que ter defeitos. Uma dobrinha ali, uma celulite aqui, uma barriguinha acolá. A dimensão humana da mulher está nessas pequenas imperfeições. Não há nada como o molejo de uma mulher com uma bunda bonita e um culotes discretos. Querem saber mais? Acho lindo quando uma mulher levanta os braços e mostra as axilas nuas, mesmo que elas não estejam perfeitamente depiladas.

Foi nessa que eu fiquei babaca quando vi as fotos de Fernanda Young na Playboy.

Existe uma produção? Sim. Chamaram o Bob Wolfenson, que ao lado do J.R. Duran é um dos maiores fotógrafos da história da Playboy, tem uma temática meio bondage meio sei lá o que, Fernanda aparece escrevendo umas bobagens em uma das fotos. Contudo, foi um dos ensaios mais autênticos que eu vi nos últimos anos.

Fernanda Young aparece nua e despojada em algumas fotos em que é possível ver uma discreta dobrinha. Os seios dela não apontam para o céu como o da maioria das mulheres das últimas capas, mas mostram a idade que têm. Em algumas aparece em fotos absolutamente a vontade, sem parecer que faz uma pose em que sua bunda seja valorizada. Há uma foto especialmente bonita em que Fernanda aparece com a mão por dentro da calcinha, como se coçasse ou escondesse a bunda. Talvez uma das fotos mais bacanas em erotismo subjetivo que eu já tenha visto.

Mas o mais impressionante são os pelos pubianos dela. Não descuidados como uma Vera Fischer ou Claudia Ohana, mas longe da estranha assepsia da depilação total, ou do irritante “bigodinho de Hitler”. De novo, não tenho nada contra as mulheres que se depilam, mas é muito bom ver na Playboy uma mulher com pelos tão…sinceros. Fernanda Young tem pentelhos, senhoras e senhores, belos e sinceros pentelhos.

Continuo tendo a mesma opinião sobre Fernanda Young. Mas serei eternamente grato por ter nos brindado com tão belo ensaio. É possível que essa moçada acostumada a mulheres de plástico não ache a menor graça, mas não tenho a menor dúvida que vai ter muito marmanjo atendendo as expectativas da escritora.

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6 Responses to Fernanda Young salvou a Playboy

  1. Pedro disse:

    “Acho lindo quando uma mulher levanta os braços e mostra as axilas nuas, mesmo que elas não estejam perfeitamente depiladas.”

    Lucas, obrigado por dividir essa frase! Nesses momentos eu tenho certeza que não sou um anormal, e não estou sozinho nesse novo mundo estranho.

    Eu mesmo já tinha escrito esas frase na minha cabeça uma vez, era mais ou menos assim: “Nada pode pagar o preço de uma axila depilada em casa”

  2. Pedro disse:

    Vou esquentar essa polêmica.

    A Fernanda Young tá tirando a maior onda por ser a mais prolífica literata a se vestir de coelhinha da Playboy. Mas uma senhora chamada Alice Denham, com idade para ser nossa avó, realizou a proeza nos idos de 1954. Ela era escritora, e já lançou pra lá dos seus 8 romances.

    • oluquetucho disse:

      Então menos um mérito para a Fernanda Young. Mas nada apaga a bela impressão que o ensaio dela me deixou.

      Agora, essa da escritora da década de 50… Eu conheço pouqíssimas pessoas que saberiam disso. Por essas e outras as conversas com voc~e são tão fantásticas.

  3. A Garota disse:

    Não entendi essa frase: “não consigo ver graça em uma mulher perfeita”.
    O que vc acha que eu sou??? Princesa Perfeitaaaaa!! uhauhauah
    ok, ok… eu tenho “Uma dobrinha ali, uma celulite aqui, uma barriquinha acolá”, mas para mim isso é o que deveria ser perfeição!!

    • oluquetucho disse:

      Eu usei perfeita no seu sentido literal. É claro que o sentido literal da palavra “perfeita”aplicado a uma mulher não é nem de longe o meu conceito de mulher perfeita.

      E sim, você é perfeita Garota.

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