Um comentário fora do seu lugar

22/02/2010

Estou tentando comentar há duas semanas no blog do Tom, mas simplesmente não consigo decidir em qual post. Cada um deles é fantástico, e cada um me provoca de uma maneira diferente. Então fica aqui o comentário: Tom, você é brilhante escrevendo e qualquer coisa que eu disser além disso, não vai fazer justiça ao que você escreve.

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Meu inimigo

22/02/2010

2008, decisão da Taça Guanabara, que é o primeiro turno do campeonato carioca. Botafogo e mulambada flamengo jogam pela taça, com times razoavelmente equilibrados. O jogo começa muito nervoso e cansado de ser cauteloso em favorecer o flamengo e marca um pênalti daqueles que não se deve marcar, e na confusão ainda expulsa um jogador do Botafogo que estava apenas tentando ajudar um jogador do flamengo a se levantar. Eu fiquei furioso na época, o episódio ficou conhecido como “o jogo do chororô”, mas quem lê o post que o Mestre Idelber escreveu entende a indignação dos jogadores e dirigentes alvinegros.

O nome do juiz era Marcelo de Lima Henrique.

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20o9, campeonato carioca. Em um jogo na fase de classificação da Taça Rio – que é o segundo turno do estadual do Rio – o Vasco dá uma goleada num sonolento Botafogo, que havia ganhado a Taça Guanabara. Na semifinal da Taça Rio, quando o jogo realmente valia alguma coisa para os dois times (e digo isso porque o campeonato carioca foi feito para que os quatro grandes se enfrentem nas fases finais dos turnos) o Botafogo atropela o Vasco, fazendo alguns vascaínos se arrependerem de ter gozado com a goleada de 4 a 1. Botafogo vence o Vasco por 4 a 0 e sucumbe a covardia em um jogo e a fatalidade em outro, perdendo o título estadual para o flamengo.

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2010. No primeiro clássico do estadual do Rio, o Vasco bagunça o Botafogo com o que eu chamei de duas goleadas no mesmo jogo: Dodô 3, Botafogo zero e Vasco mais 3, Botafogo ainda zero. Furioso, com o clube que o abandonou durante um processo por doping, Ricardo Lucas faz três e deixa o fraquinho time alvinegro a mercê do bom entrosamento dos vascaínos.

Quando acabou esse jogo, me veio imediatamente a imagem do ano anterior na cabeça. Os vascaínos me sacaneando pela derrota vergonhosa, mas tendo que se calar depois, diante de uma derrota para o Glorioso. A diferença esse ano é que tínhamos um time pavoroso um técnico mané e mais nada. Com a goleada, o técnico caiu e Joel Santana, especialista em campeonato carioca, assume o Botafogo, mas não consegue me dar nem um fio de esperança.

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Na semifinal da Taça Guanabara, o poderoso império do amor sucumbe ao feinho Botafogo e nos dá a primeira alegria futebolística do ano. Levemente de ressaca no carnaval, Adriano e sua turma abusam do direito de subestimar o fraquinho Botafogo, e acabam sendo surpreendidos. Botafogo ganha e vai enfrentar o Vasco na final. A partir dali, a coisa mudou bastante de figura para mim. Vencer a mulambada teve um gosto realmente especial, mas vencer o Vasco na final e poder me vingar dos vascaínos seria a cereja do bolo.

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Final da Taça Guanabara, segundo tempo. Com certa dificuldade, o Botafogo vence o Vasco por 1 a 0 e caminha lentamente para a conquista da Taça Guanabara, uma vez que o Vasco tem um jogador a menos e sofre para superar o ferrolho esquisito que virou o sistema defensivo do Botafogo com Joel no comando. Em menos de dez minutos teria a oportunidade de lavar a minha alma e pedir a vascaínos que me explicassem por que o São Januário ficava mais triste ao saber que enfrentaria em um jogo decisivo o Glorioso. As piadas começavam a surgir em minha mente.

Aos 37 minutos do segundo tempo o árbitro marca um pênalti que eu contesto absolutamente. Em lances de bola levantada na área, é preciso ter critério: ou o juiz não marca falta nunca, mas enquadra os jogadores ou o juiz marca falta sempre. Foi essa a minha maior queixa na final de 2008. Houve a marcação de uma falta que se repetiu ao longo do jogo, mas foi ignorada pela arbitragem. Ao converter o pênalti, o Alvinegro da Estrela Solitária consolida sua vitória com um lance que para mim não procede. Minha vingança perde quase todo o seu sabor por causa de uma barbeiragem do juiz.

O nome do juiz do jogo de hoje era Marcelo de Lima Henrique.

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O sujeito, de má-fé, arruinou duas segundas feiras minhas que seriam quase mágicas. Ele não me conhece, eu não o conheço pessoalmente, mas não posso deixar passar em branco. A partir de hoje, serei teu algoz, Marcelo de Lima Henrique. Serei teu inimigo jurado, capaz até de rosnar para você ou de cuspir na tua cara. Não pode ser coincidência você me sacanear duas vezes, então chegou a hora de dar o troco. Espero que você nunca esbarre comigo por aí, porque seria um péssimo dia para você.

Mas também não fica de ego inflado não. Até pretendo me vingar de você, mas desde que isso não dê muito trabalho.


Um discurso e uma pergunta

08/02/2010

“Mas é isso que é a juventude que diz que quer tomar o poder? Vocês têm coragem de aplaudir, este ano, uma música, um tipo de música que vocês não teriam coragem de aplaudir no ano passado? São a mesma juventude que vão sempre, sempre, matar amanhã o velhote inimigo que morreu ontem? Vocês não estão entendendo nada, nada, nada, absolutamente nada. Hoje não tem Fernando Pessoa. Eu hoje vim dizer aqui, que quem teve coragem de assumir a estrutura de festival, não com o medo que o senhor Chico de Assis pediu, mas com a coragem, quem teve essa coragem de assumir essa estrutura e fazê-la explodir foi Gilberto Gil e fui eu. Não foi ninguém, foi Gilberto Gil e fui eu!”

“Vocês estão por fora! Vocês não dão pra entender. Mas que juventude é essa? Que juventude é essa? Vocês jamais conterão ninguém. Vocês são iguais sabem a quem? São iguais sabem a quem? Tem som no microfone? Vocês são iguais sabem a quem? Àqueles que foram na Roda Viva e espancaram os atores! Vocês não diferem em nada deles, vocês não diferem em nada. E por falar nisso, viva Cacilda Becker! Viva Cacilda Becker! Eu tinha me comprometido a dar esse viva aqui, não tem nada a ver com vocês. O problema é o seguinte: estão querendo policiar a música brasileira. O Maranhão apresentou, este ano, uma música com arranjo de charleston. Sabem o que foi? Foi a Gabriela do ano passado, que ele não teve coragem de, no ano passado, apresentar por ser americana. Mas eu e Gil já abrimos o caminho. O que é que vocês querem? Eu vim aqui para acabar com isso!”

“Eu quero dizer ao júri: me desclassifique. Eu não tenho nada a ver com isso. Nada a ver com isso. Gilberto Gil (entrando no palco). Gilberto Gil está aqui comigo, para nós acabarmos com o festival e com toda a imbecilidade que reina no Brasil. Para acabar com isso tudo de uma vez. Nós só entramos no festival pra isso. Não é Gil? Não fingimos. Não fingimos aqui que desconhecemos o que seja festival, não. Ninguém nunca me ouviu falar assim. Entendeu? Eu só queria dizer isso, baby. Sabe como é? Nós, eu e ele, tivemos coragem de entrar em todas as estruturas e sair de todas. E vocês? Se vocês forem… se vocês, em política, forem como são em estética, estamos feitos! Me desclassifiquem junto com o Gil! Junto com ele, tá entendendo? E quanto a vocês… O júri é muito simpático, mas é incompetente.”

“Deus está solto!”

– Caetano Veloso, em meio às vaias no III Festival Internacional da Canção, 1968 –

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E afinal, éramos (ou somos ainda) em política como somos em estética?