Não há lugar para o dourado no Arco-Íris

Você seria amigo de um neonazista?

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Não fiquei surpreso com o resultado do BBB 10. Nada tira da minha cabeça, que o programa foi pensado para sustentar um modelo de sociedade preconceituosa. Marcelo Dourado e sua falácia da “heterofobia” foi o personagem que a Globo precisava para levantar a tal bandeira do “orgulho hétero”. Eu poderia ficar explicando por linhas e linhas por que orgulho hétero é reafirmar o preconceito, mas vou fazer uma analogia simples: já viu por aí alguém andando com uma camisa escrita “Sou Branco e me orgulho disso”?

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A heterofobia é uma falácia sim. O que os héteros chamam de heterofobia, nada mais é que a reação das pessoas de bom senso à sua homofobia. Quando Dourado dizia que era vítima de heterofobia, ele estava mencionando o choque que algumas pessoas da casa sentiam ao ouvir ele falar coisas do tipo “homens heterossexuais não contraem HIV” ou sentir nojo de histórias de noitadas do Serginho. É a crítica que ele recebeu que ele chamou de heterofobia, numa absurda inversão que a Rede Globo bancou. Dourado é homofóbico sim, e venceu o BBB por isso.

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Semana passada eu fiquei estarrecido com a posição de um grande amigo que disse que não tinha a obrigação de ver em lugares públicos casais homossexuais em manifestações de carinho. Porra, qual exatamente é a diferença entre um casal homossexual e um casal heterossexual? Não venham me dizer que ser homossexual é anormal, porque não existe orientação sexual padrão.

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Toda vez que eu ouço um homofóbico proferindo asneiras sobre a “anormalidade do homossexualismo” eu escuto duas frases distintas: “pode sentar a porrada nesse negrinho, porque essa crioulada anormal não tem alma”, dita  há duzentos anos ou “joga esse judeu na câmara, porque ser judeu é anormal”, dita há setenta anos. Acharam forte a comparação? Pois saibam, senhores preconceituosos, que os senhores são tão assassinos (ou cúmplices) quanto os personagens das frases acima. A diferença mesmo são os números de mortos e a metodologia empregada.

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Fica decidido a partir de hoje, que eu vou ser muito seletivo nas minhas amizades. O amigo do caso acima é um cara esperto e vai entender quando eu explicar para ele, pessoalmente, onde exatamente está o preconceito na percepção dele e, acredito eu, vai refletir bastante depois do papo. Mas outros, com quem já conversei e que sustentam posições homofóbicas agressivas estarão sendo descartados.

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6 Responses to Não há lugar para o dourado no Arco-Íris

  1. Tom disse:

    Perdoe, mas este comment vai ser grande. Não achei por bem fazer um post sobre isso, ‘separando’ a discussão, como temos feito de vez em quando.

    Passei os últimos dias num dilema moral sobre postar ou não postar a respeito da final do bbb10. A divina providência decidiu que não, e me tirou a internet na 2ªfeira, véspera da final. Depois, perdeu o sentido.

    E vem vc, depois da chuva, e me salva. 😀
    Então, me permita pegar o fluxo do seu pensamento e fazer uns acréscimos.

    Há uma guerra lá fora! Algo muito similar ao que ocorreu aos comunistas com o McCartismo… o ‘inimigo está entre nós’, diriam alguns. Como identificá-los? Roupas fashion? Calças justas? Couro? Cortes de cabelo ousados? Um agudo no final da frase?

    Sorry, people! Hoje, todo mundo gosta de Lady Gaga. E por mais insossos que tenham sido, Carlos Casagrande e Sérgio Abreu (algumas novelas atrás) mostraram que estereótipo de c… é rol…

    Medo perseguição, vergonha. “Estamos fazendo algo errado?” Sim! Ferindo padrões estéticos alheios, interiorizando uma culpa nonsense e sendo mortos por isso. Veja Curitiba! E eu que queria fazer mestrado lá, uma cidade táo incrível…

    Ter lido X-Men durante toda a minha adolescência me ajudou muito a não cair no conto do vigário sobre este preconceito em particular. Este não tão evidente assim. E salve Sir Ian McKellen!

    Não. Não é fácil pra quem vive isso. É muito difícil se convencer que não há nada errado com você mesmo, mais ainda ‘jogar sua vida fora, recomeçar do zero’, porque o mundo do qual você fazia parte queria fagocitá-lo.

    E mesmo quando se percebe que não há nada de errado, é o mundo que está, então? Não acho que há resposta melhor do que “American History X”.

    Não acho que os gays (adoro quando usam o termo homossexual, mesmo numa conversa informal – fica tããão forçado), ou melhor, nós gays, estejamos procurando por aceitação. Só não queremos que digam como devemos viver!

    “Minha casa é meu castelo”. Ninguém pode fazer sexo na rua, ou vai preso. Mas se não quer ver homens se beijando na rua, fica em casa e desliga a tv!

    Queria ver o bbb11 com dois gays que, eventualmente, sintam atração um pelo outro. Mas isso, duvido que a grobo faça!

    PS 1: Foi preciso uma catástrofe no Rio pra vc postar? Tomara que venha um terremoto em breve!

    PS 2: It’s done! Pro bem ou pro mal! E acho que vc entendeu!

    PS 3: God of War III!!!
    😉

    • oluquetucho disse:

      Foi um belíssimo manifesto, Tom. Mesmo emulando a forma dos seus posts, meu post ficou muito aquém do que qualquer post seu, e seu comentário ilustra bem o abismo que há entre eu, simples rabiscado, e você, um puta escritor.

      Estou contigo, meu amigo querido. “Whatever happened, happened”.

      Grande beijo

  2. Tom disse:

    Hombre,

    muito obrigado pelas palavras! e aquém é o kct! cada um do seu jeito, sabemos muito bem dizer o que queremos! especificamente hoje, se não fosse vc, eu não teria escrito a respeito… nunca esqueça isso!

    Mas curiosamente, o Cardoso ‘acabou’ de postar uma coisa interessante http://www.contraditorium.com, (em 07/04/2010 às 6:12 pm).

    Vale lembrar que ser gay, no Brasil, deixou de ser doença há apenas 10 anos (tá bom, quase 11 agora).

    E apenas em 2 de março de 2010 que, na França (e somente na França), a transexmualidade não é mais um transtorno mental.

    não podemos nos esquecer disso… =\

    • oluquetucho disse:

      Há uma guerra em curso, companheiro. Não é hora de abandonar as trincheiras. Vamos até o fim. Eu conheci um sujeito que volta e meia falava sozinho, em um tom de voz baixinho, como quem diz para si mesmo “change the world”. Eu tenho certeza que esse sujeito ainda está por aí, tentando mudar o Mundo.

      Bom post do Cardoso, deixei minha opinião lá. Curta, mas direta.

  3. El Mamut disse:

    Cara, meu comentário vai se limitar ao Big Brother…

    Não acho que seja interesse da Globo gerar um sentimento “heterofóbico” para acabar com os gays. Acho que as preocupações da Globo são muito maiores.

    Acho que este Big Brother foi uma prova de que brasileiro gosta de gente que se faz de coitadinho. É a fórmula perfeita para se vencer um Big Brother.

    A Globo mostrou que quando eles querem, podem fazer você gostar de quem for. Celebridades defendendo o babaca, foi só o começo.

    Quanto ao restante do seu e-mail, prefiro comentar pessoalmente.

    El Memut, conspirólogo por opção, mas ainda sim tem seus limites…

    • oluquetucho disse:

      Mamut, o BBB foi para sustentar um modelo de sociedade homofóbica, que exclui e mata gaus, lésbicas e trans. Mal posso esperar por essa discussão…

      Um abraço.

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