Post de desagravo

26/06/2010

Eu sei, roupa suja se lava em casa, mas não dá mais para esperar.

Porra Cabeça, a Copa do Mundo está rolando e você simplesmente abandonou o blog sobre futebol. Eu sei, você trabalha para cacete, tem faculdade, namorada. Mas o que eu estou pedindo é só um mês de sacrifício. Não só eu, mas uma legião de amigos são fãs dos seus posts no Varzeando.

No mais, um abraço e um beijo. Saudades suas.


Ficção [II]

21/06/2010

Conheci Julia em uma bela manhã ensolarada de domingo. Não que eu goste de manhãs ensolaradas, principalmente porque nas manhãs de domingo eu normalmente estou dormindo. Acho os dias entediantes, especialmente as monótonas manhãs de domingo. Sempre preferi as noites de segunda, que são desertas e silenciosas.

De qualquer forma, eu tinha prometido a um grande amigo (não fosse por isso não teria ido) tomar café da manhã em um parque da cidade com ele e a noiva. Ele é meu amigo, eu o conheço bem, mas era óbvio que haveria uma surpresa desagradável me esperando. Fosse uma conversa sobre hábitos mais saudáveis, fosse uma conversa sobre como eu deveria voltar a estudar. A verdade é que o Plínio era uma das poucas pessoas que ainda se preocupava comigo e fazia questão de manifestar isso. Foi um dos poucos a não me chamar de misantropo com o passar dos anos, um dos poucos que tinha coragem de me visitar em casa.

Cheguei atrasado, a cabeça ainda um pouco zonza. A luz do sol me incomodava, e antes de chegar à mesa eu jurei a mim mesmo que não me sentaria no sol. Plínio me conhecia, estava me esperando em uma mesa debaixo da sombra de uma puta árvore. A imagem era até um pouco cômica, Plínio lá com um chapéu meio ridículo, rindo e acenando para mim, Lúcia, a noiva dele, sorrindo para mim sem me olhar, com a cabeça meio reclinada e uma terceira pessoa, de costas, da qual eu só conseguia ver o rabo de cavalo vermelho cor de sangue seco.

Se existe um clichê que eu gosto é aquele do “e seu eu tivesse feito o contrário”, também conhecido como “e naquele momento eu tomei uma atitude que definiu toda a minha vida”. Se eu tivesse me aproximado da mesa, sem me sentar, dado um gole no café do Plínio (mesmo estando aquela merda com adoçante, ou açúcar mascavo), olhado no fundo dos olhos dele e da Lúcia, sem olhar para a cara da criatura de cabelos vermelhos cor de sangue seco e dito para os dois “Plínio, por que você insiste em me apresentar essas amigas da Lúcia mal amadas e mal comidas, como se eu tivesse o maior pau do mundo? Você acha que eu sou um grande fodedor, mas é só porque eu preferi não colocar meu pau no jarro de mulher nenhuma. Vou nessa. Qualquer coisa me liga.” tudo teria sido bem diferente.

Mas eu nunca tinha comido uma ruiva de verdade na minha vida, decidi que aqueles seriam os primeiros pentelhos ruivos que eu veria na minha vida. Se eles chegaram ao ponto de me apresentá-la, é porque a pobre moça estava desesperada. Não gosto de me gabar sobre essas coisas, até porque minha vida sexual nunca foi a de um grande garanhão, mas se tem uma coisa que eu sei fazer é me aproveitar da necessidade ou fragilidade de uma mulher para tirar a roupa dela. Decidi naquele momento que o quanto antes eu a comeria.

Idiota, Julia me comeu muito antes


Os posts perdidos

06/06/2010

Ao longo desse mais de um ano de blog, alguns posts nasceram na minha cabeça e por lá ficaram, sem jamais serem escritos. As razões são muitas, mas principalmente por negligência.

Havia uma série inteira de posts sobre os sete pecados capitais. Eu faria um post para cada pecado, contando a minha relação com o pecado, grandes exemplos de pecadores, exemplos na literatura ou no cinema. Seria uma grande ode aos excessos. Abandonei porque achei que era qualquer coisa.

Tinha um post sobre “Into the Wild” e como esse filme pode superar Forrest Gump na minha lista.

Um post sobre minha primeira Ópera, que foi devidamente abandonado porque a apresentação em si não era digna de post nenhum.

Um post sobre meus grandes amigos e nosso encontro anual, onde eu desmascararia o Leitor Oculto, El Mamut e o Bolha.

Um post decente sobre o blog do Tom e o quão genial ele é.

Um post sobre porque eu era contra a indicação do Rio de Janeiro a sede das Olimpíadas de 2016, que obviamente ficou datado.

Um post sobre a minha mãe, elogioso e cheio de histórias da nossa vida.

Um post sobre como ter jogado RPG por tantos anos fez de mim um sujeito mais culto, mais criativo e com uma capacidade maior de me divertir. Mencionando inclusive alguns dos meus personagens favoritos.

Um post sobre pregos no meu caixão, e o quanto eu adoro isso.

Um post sobre carnaval, não a história, mas como eu mudei meu jeito de aproveitar o carnaval.

Há ainda uns cinco ou seis posts de ficção, que talvez respondam a pergunta do Alexandre.

Um post sobre meu primeiro encontro com o Biajoni. Eu já tive com o Bia de novo, o encontro renderia um outro post e ainda assim eu não escrevi.

Um post sobre o último Big Brother e seu papel na manutenção de um modelo homofóbico de sociedade. Até mencionei isso em um post, mas a questão central do post era outra.

Alguém ainda lembra que eu pretendia falar sobre os filmes que eu assistisse na semana?

Um post sobre um ano de blog e o que mudou de lá para cá, com um desdobramento para uma carta aberta para o autor do blog que me fez ter vontade de criar o meu.

Alguns desses posts ainda são possíveis, mas provavelmente se perderão na minha falta de tempo e de disciplina.