Ficção [II]

Conheci Julia em uma bela manhã ensolarada de domingo. Não que eu goste de manhãs ensolaradas, principalmente porque nas manhãs de domingo eu normalmente estou dormindo. Acho os dias entediantes, especialmente as monótonas manhãs de domingo. Sempre preferi as noites de segunda, que são desertas e silenciosas.

De qualquer forma, eu tinha prometido a um grande amigo (não fosse por isso não teria ido) tomar café da manhã em um parque da cidade com ele e a noiva. Ele é meu amigo, eu o conheço bem, mas era óbvio que haveria uma surpresa desagradável me esperando. Fosse uma conversa sobre hábitos mais saudáveis, fosse uma conversa sobre como eu deveria voltar a estudar. A verdade é que o Plínio era uma das poucas pessoas que ainda se preocupava comigo e fazia questão de manifestar isso. Foi um dos poucos a não me chamar de misantropo com o passar dos anos, um dos poucos que tinha coragem de me visitar em casa.

Cheguei atrasado, a cabeça ainda um pouco zonza. A luz do sol me incomodava, e antes de chegar à mesa eu jurei a mim mesmo que não me sentaria no sol. Plínio me conhecia, estava me esperando em uma mesa debaixo da sombra de uma puta árvore. A imagem era até um pouco cômica, Plínio lá com um chapéu meio ridículo, rindo e acenando para mim, Lúcia, a noiva dele, sorrindo para mim sem me olhar, com a cabeça meio reclinada e uma terceira pessoa, de costas, da qual eu só conseguia ver o rabo de cavalo vermelho cor de sangue seco.

Se existe um clichê que eu gosto é aquele do “e seu eu tivesse feito o contrário”, também conhecido como “e naquele momento eu tomei uma atitude que definiu toda a minha vida”. Se eu tivesse me aproximado da mesa, sem me sentar, dado um gole no café do Plínio (mesmo estando aquela merda com adoçante, ou açúcar mascavo), olhado no fundo dos olhos dele e da Lúcia, sem olhar para a cara da criatura de cabelos vermelhos cor de sangue seco e dito para os dois “Plínio, por que você insiste em me apresentar essas amigas da Lúcia mal amadas e mal comidas, como se eu tivesse o maior pau do mundo? Você acha que eu sou um grande fodedor, mas é só porque eu preferi não colocar meu pau no jarro de mulher nenhuma. Vou nessa. Qualquer coisa me liga.” tudo teria sido bem diferente.

Mas eu nunca tinha comido uma ruiva de verdade na minha vida, decidi que aqueles seriam os primeiros pentelhos ruivos que eu veria na minha vida. Se eles chegaram ao ponto de me apresentá-la, é porque a pobre moça estava desesperada. Não gosto de me gabar sobre essas coisas, até porque minha vida sexual nunca foi a de um grande garanhão, mas se tem uma coisa que eu sei fazer é me aproveitar da necessidade ou fragilidade de uma mulher para tirar a roupa dela. Decidi naquele momento que o quanto antes eu a comeria.

Idiota, Julia me comeu muito antes

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2 Responses to Ficção [II]

  1. garota disse:

    Bom ver você começar um projeto novo que vc tanto queria. Tá indo mt bem! parabéns. bjs

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