Dorothy

31/07/2010

Longe de mim pagar de conhecedor da língua portuguesa, mas é curioso notar como ás vezes sem querer usamos palavras com significados tão diferentes como se fossem sinônimos: solitário e sozinho é um caso clássico. Para explicar a diferença eu costumo usar um chavão: “você pode estar solitário mesmo no meio de uma multidão, mas você não estará sozinho”.

Lar e casa.

Casa e onde a gente mora, a gente dorme, toma banho. É onde ficam guardadas aquelas roupas que usamos para trabalhar, onde ficam os nossos perfumes, nossas toalhas, nosso desodorante. Casa é onde ás vezes comemos, ás vezes vemos televisão, ás vezes ouvimos música. Casa é onde estão alguns dos nossos livros, especialmente os técnicos. Casa é onde a gente descansa.

Lar é onde reunimos nossos amigos, onde convivemos com as pessoas que mais gostamos, onde comemos guloseimas. Lar é onde não nos importamos com o que vestir, desde que não se pegue sereno. É onde ás vezes tomamos menos banhos do que deveríamos e nunca usamos perfume. É onde ficam nossos livros preferidos e é onde vemos aqueles filmes velhos que adoramos. Lar é onde a gente relaxa.

Você pode estar solitário na sua casa, mas é muito difícil você estar solitário no seu lar.

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Rapaz rapaz

21/07/2010

Quando eu conheci o Tom, ele era muito mais velho e eu ainda era uma criança. Eu até era um pouco mais esperto que os outros garotos da minha idade, mas ainda era uma criança e até meu tipo físico entregava minha pouca idade. No primeiro momento isso foi uma grande barreira, mas aos poucos eu fui me entendendo com aquele tipo estranho. Não sei bem em que momento aconteceu, mas hoje eu não consigo mais fazer distinção de como era a minha relação com o Tom antes de nos tornarmos amigos como somos hoje.

Não é difícil querer ser amigo dele. O sujeito tem uma personalidade magnética, é daqueles que mesmo quando fica calado chama a atenção. Quando fala, é sempre relevante e quando não tem o que dizer simplesmente não comenta. É sagaz, inteligente, mas de um tipo de inteligência mordaz. Tem um senso de humor que oscila com muita naturalidade: se num instante ele está fazendo um trocadilho ingênuo, no outro ele pode estar fazendo uma piada suja e ácida, muito ácida. Além disso tudo, o Tom é de uma empatia que eu jamais vi igual.

E fomos ficando amigos, e companheiros. Foram dias e mais dias de filmes, quadrinhos, discussão sobre os filmes, discussão sobre os quadrinhos, discussão sobre política, discussão sobre ciências. Raro ter um assunto sobre o qual não conversávamos, e o sujeito tinha sempre um dado, ou opinião interessante para dividir comigo. Eu provavelmente passei mais horas da minha vida discutindo Matrix com o Tom do que, estudando física, por exemplo. E como eram prolíficos esses papos.

Quando eu precisei de grandes conselhos, o Tom estava lá para me dar. Quando eu precisei levar alguns esporros, o Tom estava lá para ter certeza que eu ouviria e, contrariando a atitude típica de um adolescente idiota, acataria. Não foram poucas as vezes que ele me orientou, e em nenhuma dessas vezes de maneira arrogante. Em muitos casos, ele sequer me dava algum conselho, ele apenas me ajudava a avaliar melhor o quadro. Com o tempo, me dei conta que ele sempre procurou me ensinar a fazer boas escolhas e, principalmente, confiar nos meus julgamentos.

Claro que quando eu estava na merda ele estava lá. Se não pudesse ajudar, ele com certeza teria uma maneira de levantar meu ânimo. O Tom é um daqueles que poderia viver de dar palestras motivacionais, sem nenhum charlatanismo. Ele não fica por aí tentando te convencer de que o mundo é perfeito e você pode ser o melhor em tudo, ele prefere mostrar a você que sim, a coisa pode ser bem ruim, mas talvez se você der um jeitinho aqui e outro ali… Ele te dá uma bela injeção de realidade, mas mostra para você onde podem estar as oportunidades.

Se hoje eu aprendo com o Leitor Oculto como cuidar do meu dinheiro, foi com o Tom que eu aprendi como e porque gastá-lo. Não que ele gastasse descontroladamente o dinheiro dele, mas ele não tinha pudor de gastar uma grana só para juntar uma turma e ver todo mundo se divertindo. De tostão em tostão, se um dia eu tivesse que pagar, eu estaria devendo uma fortuna para ele. Mas mesmo que eu tivesse essa grana, ele jamais aceitaria. Falando assim, parece que ele tinha muita grana, mas na verdade o que existia era o abismo financeiro entre um adolescente no ensino médio e um jovem com um bom emprego.

Um dia, eu fiz uma coisa, que hoje eu sei que foi errada, com o Tom e ficamos sem nos falar. Meses depois ele surgiu, me chamou para bater um papo e só depois de muita conversa sobre tantos outros assuntos ele me perguntou se eu me arrependia de alguma coisa que eu tinha feito naquele dia, lá atrás. Eu disse que sim, que me arrependia de uma coisa e ou outra e ele emudeceu. Voltou o assunto para todos aqueles temas que costumavam aparecer nas nossas conversas, e sobre os quais já não falávamos há alguns meses, e nunca mais falamos da briga. Tabu? Claro que não, esse é o jeito do Tom de não perder tempo com coisas que não merecem.

Um dia ele me contou um segredo, e eu fiquei lisonjeado, mas muito lisonjeado por isso.

Tom, eu não sou seu Greatest Partner, eu estou muito mais para seu sidekick. Naquele seu post (que até hoje me faz chorar) do meu aniversário você faz uma referência a Bruce e Clark, mas seria muito mais justo falarmos em Bruce e Dick. Não tenho a ilusão de achar que estou, no todo, no mesmo patamar que você. E não há experiência, vivência ou conselho que me faça chegar lá, porque você simplesmente é assim, e quem te conhece está por aí para provar que dessa vez eu estou certo.

E agora vou parar, antes que eu fique piegas. Já falei o suficiente, mas se você teve saco de ler tudo, aposto que vai prestar atenção nesse negrito: você é foda, cara! De todas as coisas legais da vida, ser seu amigo é sem dúvida uma das melhores. E eu espero que nos muitos anos que você vai ter de vida, possamos continuar a nossa amizade.

Um grande beijo.

P.S.: Tomei o cuidado de publicar só dois dias depois do seu aniversário, para você não achar que, com isso eu estava te dando os parabéns. Mantenho a nossa tradição de não te dar os parabéns. 😉


O bom companheiro de histórias

20/07/2010

O Tom é um escritor sensacional. Quem tem dúvidas vai lá no blog dele e confere. Mas não é disso exatamente que eu quero falar aqui.

Durante muito tempo, Tom escreveu histórias absolutamente fascinantes. Histórias que foram feitas para serem contadas, e reescritas com a ajuda de outras pessoas. Eu tive o prazer de colaborar em muitas dessas histórias.

Quantas hisórias sombrias, personagens fantásticos, descrições de lugares fantásticos. Foram boas histórias. Me desculpem pelo clichê, mas fomos a uma porrada de lugares sem jamais levantar da mesa. E era da mente do Tom que saiam as idéias geniais. A gente só surfava na onda.

Foram horas e mais horas de diversão. Obrigado.


O Curioso Caso de Benjamin Oditon

20/07/2010

Parte da história já foi contada. Quando eu era criança eu conheci um Velho. Embora não parecesse, ele era um velho com quase todas as características que vemos  nos estereótipos de velho. Ele era cheio de manias estranhas, vez ou outra resmungava, vivia quase recluso só saindo para trabalhar e para programas bem tranquilos e principalmente era bastante mal humorado, não rindo e quase não dando muita chance das pessoas rirem.

Há uns dois anos, estávamos em um bloco de carnaval e o Velho chegou. Estava sem camisa, de chinelos, vindo da praia e com um adareço de carnaval (tipo um colar havaiano, whatever). Vinha rindo e fotografando. Um cigarrinho no canto da boca, uma lata de cerveja na mão. Ele não conhecia as marchinhas, nunca tinha ouvido os sambas, mas não deixava de pular nem por um momento. Quer dizer, parava de pular para olhar em volta, com uma cara que na época não entendíamos.

Foi o Pedro quem matou a charada: “é o Benjamin Button”.

Domingo eu estive com ele em um bar. Eu bebi muito devagar, afinal era domingo, enquanto ele bebeu despudoradamente alguns chopes de vinho. Enquanto estávamos todos absortos na conversa da mesa, ele estava olhando em volta, flertando. Não bastando isso, ele ficou boa parte do tempo falando de uma festa (no universo de dezenas de festas que ele tem ido) que nós precisávamos conhecer.

O Pedro tinha razão.


Por mais um pouco de iconoclastia

10/07/2010

Houve um tempo em que eu achava que certas, crendo eu nelas ou não, deviam ser respeitadas. Aos poucos eu fui abstraindo cada um desses “bastiões”.

Pois eu achei isso sensacional, uma bela homenagem ao Saramago. Porrada no queixo de quem ele tanto combateu.

Agora eu estou vendo os mesmos caras que defenderam as charges dimanarquesas de Maomé se contorcendo de raiva da pobre Playboy portuguesa.

( E pois, não é que as gajas do ensaio são bonitas)


Ao amigo que me ensinou a ser resiliente

07/07/2010

No seu aniversário eu não te liguei. Decidi então que te mandaria um email, mais ou menos como já fez comigo uma vez, explicando porque te admiro tanto. Não escrevi. Outro dia no Messenger, trocamos algumas idéias e eu pude pelo menos pedir desculpas. Você disse que não havia motivos, e daí ficamos trocando gentilezas o tempo todo, mas era eu quem devia ter falado. Por isso vou falar por aqui.

Quem conhece um pouquinho da sua história sabe que, ás vezes a vida bate, bate forte e ás vezes bate muito. Muita gente quando apanha abaixa a cabeça, vira as costas e desiste. Você continuou apanhando, e levantando, tal qual Rocky Balboa. Pode parecer clichê falar assim, mas só te conhecendo para ver. Você esmoreceu um pouco, ficou mais cansado, o peso sobre seus ombros te deixou mais curvado. Mas quem procurasse teus bons conselhos, suas histórias fantásticas ou só um ombro, encontraria com facilidade.

Mais do que isso, você continuou cavando seu objetivo, mesmo que para isso você tivesse que pegar um caminho mais longo. Longo, e desgastante. Você parou? Jogou a toalha? Não, balançou a cabeça, sacudiu os ombros e seguiu adiante. Você elogia minha garra, mas na primeira bordoada eu me desesperava e ficava por aí fazendo mimimi, e só quando olhei pro lado e vi teu exemplo aprendi que mais importante que correr atrás, é ter sempre fôlego.

Você é o cara, meu amigo. Se você acha que pode aprender alguma coisa com um conselho meu, eu te digo que aprendi muita coisa sem nem precisar do conselho, bastou que eu seguisse seu exemplo.

(Ah, e naquela conversa no MSN você me mandou escrever mais no blog. Toma aí!)


Voto de silêncio

07/07/2010

Decidido que a final da Copa do Mundo vai ser entre Holanda e Espanha, posso dizer com certeza que todos os meu principais prognósticos sobre a Copa estavam errados. Portanto decidi que pelos próximos seis meses, não haverá nenhuma menção a futebol por parte desse autor. Além: não falarei no Twitter sobre futebol. Mais ainda: não discutirei sobre futebol, mesmo que a mesa de bar seja a mais convidativa possível.

Aos amantes do ludopédio, até o dia 07/01/2011.