O Curioso Caso de Benjamin Oditon

Parte da história já foi contada. Quando eu era criança eu conheci um Velho. Embora não parecesse, ele era um velho com quase todas as características que vemos  nos estereótipos de velho. Ele era cheio de manias estranhas, vez ou outra resmungava, vivia quase recluso só saindo para trabalhar e para programas bem tranquilos e principalmente era bastante mal humorado, não rindo e quase não dando muita chance das pessoas rirem.

Há uns dois anos, estávamos em um bloco de carnaval e o Velho chegou. Estava sem camisa, de chinelos, vindo da praia e com um adareço de carnaval (tipo um colar havaiano, whatever). Vinha rindo e fotografando. Um cigarrinho no canto da boca, uma lata de cerveja na mão. Ele não conhecia as marchinhas, nunca tinha ouvido os sambas, mas não deixava de pular nem por um momento. Quer dizer, parava de pular para olhar em volta, com uma cara que na época não entendíamos.

Foi o Pedro quem matou a charada: “é o Benjamin Button”.

Domingo eu estive com ele em um bar. Eu bebi muito devagar, afinal era domingo, enquanto ele bebeu despudoradamente alguns chopes de vinho. Enquanto estávamos todos absortos na conversa da mesa, ele estava olhando em volta, flertando. Não bastando isso, ele ficou boa parte do tempo falando de uma festa (no universo de dezenas de festas que ele tem ido) que nós precisávamos conhecer.

O Pedro tinha razão.

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2 Responses to O Curioso Caso de Benjamin Oditon

  1. Garota disse:

    Sobre o menino do texto, conheço bem o caso. Peguei pouco a fase velho, já cheguei num momento de mudanças, mas a diferença entre o Benjamin Oditon de 5 anos e o Benjamin Oditon de hoje é gritante.

    Adoro poder acompanhar essas mudanças que fazem tão bem a ele. Realmente espero um dia vê-lo na fase adolescente apaixonado!

    Beijos

    OBS: Incrível como você está escrevendo bem. O texto está fantástico. Leve e inteligente, parabéns!

  2. Pedro Moura disse:

    hahaha

    A resposta da charada foi apenas um “chiste jocoso”, e pior, uma piada pronta. Estava no chão, eu apenas vi primeiro…

    a verdade é que o Tom sempre foi um cara especialmente maduro, e nós tivemos o prazer de conviver com ele enquanto éramos garotos, tentando chegar em algum lugar.

    Acho que conseguimos chegar, e melhor ainda, continuamos por perto dele!

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