SWU é para Jacu – Parte 1

A caravana saiu de Copacabana, base carioca do Bill Savannah. Parti de metrô, feito um pequeno escoteiro. Na mochila um casaquinho safado, duas garrafinhas de água e uma pequena porção de alimentos de primeira necessidade.

O básico

Encontrei o Bill no Zona Sul para o café da manhã. Na verdade, quando desci da estação Bill já havia feito o seu prato, mas por incrível que pareça, quando cheguei no mercado ele parecia num tipo de transe. Seu olhar parecia perdido e por mais que eu olhasse na direção, não entendia o que havia deixado meu amigo tão espantado. Cinco minutos depois, já comendo, me dei conta que estava sem óculos, e quando os coloquei tudo fez mais sentido.

Conversamos animadamente durante o café. Bill me falava como tem sido sua rotina e como havia sido o show da noite anterior. Eu estava mais preocupado em saber quando partiríamos. Bill parecia não ter pressa, e eu fazia questão de chegar na tal fazenda Maeda a tempo de ver o Mars Volta, mas o Tiozão do Rock sequer havia dado as caras, e não iríamos embora sem ele.

Café da manhã saudável

Terminamos o café e partimos para o apartamento do Bill. Por um instante achei que meu amigo estava patrocinando uma academia Gracie, tamanha era a quantidade de barras de proteína que achei lá. Mas como havia na mesma sacola barras de cereal das mais finas e isotônicos, fiquei mais tranquilo. O Bill faz uma dieta de isotônicos, chimarrão, barras de proteína e ceral, que só é quebrada aos domingos, dia de churrasco.

Finalmente o Tiozão chegou, e partimos. Tiozão veio trajando uma camiseta do fluminense e o indefectivel “courinho” no pulso. Não sei exatamente de onde diabos ele tirou aquele courinho, mas o sujeito se sente viril com aquela porcaria e o que é de gosto, regalo da vida.

Entramos no carro e calibramos o GPS para qualquer endereço de Itu. Nosso raciocínio era muito simples: Itu deve ser uma cidade de médio porte, mas assim que puséssemos os pés na cidade veríamos indicações de como chegar no tal evento. Além disso, temos um GPS fodão, que dá os mais variados mapas rodoviários, urbanos e astrais. Chegar em Itu era uma questão de tempo.

A viagem tinha tudo para ser fácil, nós só não contamos com a possibilidade de sermos sabotados pelo GPS.

Antes de sair de casa, alguém falou “linha vermelha” o caminho mais rápido e óbvio para a Dutra. Bill, como bom gaúcho, disse que não sabia como pegar a via expressa. Confiamos que o GPS (que a partir de agora será chamado de Silvia, aquela da música do Camisa de Vênus) nos daria o caminho certo. A confiança durou menos de quinze minutos. Distraídos conversando, mal reparamos quando Bill cruzou 11 pistas de uma só vez na Linha Vermelha e entrou na Linha Amarela, sem chances de retorno. Foi a primeira peça pregada por Sílvia.

Depois de muito rodarmos procurando uma maneira de voltar a Linha Vermelha, finalmente conseguimos seguir viagem. Já chegando na Dutra, Bill sacou a sua cuia e começou a beber seu chimarrão enquanto dirigia. Já vi o Bill tomando na cuia algumas vezes, mas Tiozão nunca tinha visto tal cena. Profundamente curioso, o careca pediu para dar um tapa na erva, e decidiu transformar o momento do Bill num ritual coletivo. A contragosto, bebi o chimarrão.

Tomando na cuia

Na fila do pedágio, um caminhão emparelhou com o carro e o motorista olhou fixamente para a cuia de Bill. Os dois trocaram sinais secretos, e quando vimos, Bill e o motorista do caminhão estavam abraçados cantando o hino do Rio Grande do Sul. Felizmente eu consegui ser sagaz e puxar Bill para dentro do carro antes que os dois acendessem a churrasqueira que inexplicavelmente surgiu da caçamba do caminhão. Quando voltou para o carro, Bill tinha um sorriso

Sobrou até para mim

arrogante nos lábios e diante da nossa cara de reprovação falou impávido, “gaúcho é melhor em tudo”.

Seguimos viagem com Bill dirigindo com um arrojo espetacular. Aproveitando a pista dupla e as curvas da Dutra, o sujeito empurrava o acelerador do carro até o fundo, como se não houvesse amanhã, ultrapassando e abrindo passagem. No banco do carona, Tiozão agarrou-se ao puta-que-pariu com tanta força que dava para ouvir o courinho esticando no seu pulso. A tensão foi tamanha que 3 fios de cabelo nasceram naquela cabeça luminosa, como por milagre. Só de olhar dava para saber que meu amigo estava tão tenso que mordia o banco do carro, e não era com os dentes.

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One Response to SWU é para Jacu – Parte 1

  1. […] você só chegou agora, começa por aqui e depois vai […]

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