Oscar 2011

27/02/2011

Foi o Leitor Oculto quem insistiu e o Tom quem conseguiu os filmes e fui parar nessa maratona maluca de ver os dez filmes indicados ao prêmio principal antes da cerimônia. Então nos últimos 4 dias eu assisti nove filmes, porque um deles eu já havia assistido.

Esse post vou dividir em duas partes. Na primeira eu vou dar uma passada pelos filmes, dizendo qual deles me chamou mais atenção, ou o que me chamou a atenção em cada um deles. Na segunda parte, vou dar meu palpite em algumas caregorias, mas apenas as principais, porque eu não sou o José Wilker advinho para palpitar sobre filmes que não assisti.

Mais uma coisa: se você quer uma resenha bacana, com ficha técnica, elenco, fotos e trailer, sugiro que você vá ao IMDB e pesquise.

Os Filmes

Com dez filmes indicados é óbvio que escapa um ou outro filme ruim, mas a seleção esse ano está bastante ruim ao meu ver. Claro que fica difícil repetir 1993 ou mesmo 2000, mas esse ano estava tão complicado que eu não sei se dava para fazer uma lista de cinco filmes. Com muito esforço, minha lista de cinco filmes seria Toy Story 3, A Rede Social, Bravura Indômita, Cisne Negro e bem… poderia ser qualquer um dos indicados na lista dos dez, exceto Inverno da Alma e A Origem.

Toy Story 3 é o melhor dos dez filmes. A história é simples, mas cativante para cacete. Eu ri, chorei e fiquei apreensivo com o filme, tudo com bastante comedimento (exceto pelo choro, porque quando eu começo é complicado parar) porque afinal de contas estamos falando de uma animação da Disney, mas uma animação da Disney que tem mais subtexto que a maioria dos filmes indicados. Toy Story 3 é um filme maravilhoso e despretensioso.

A Rede Social é uma finta do David Fincher, que fingiu que fez um filminho menor, que deixou para lá aquela idéia maluca de ganhar o Oscar depois do fiasco do Benjamin Button e etc, mas teve o cuidado de fazer um filme sem nenhuma casca de banana que poderia fazer a academia torcer o nariz pro seu filme. Porra, o protagonista do filme é o controverso Mark Zuckerberg e ainda assim o filme dá um jeito de tirar boa parte do peso das costas do cara, dando ao personagem do (bom) Justin Timberlake o “papel de vilão”. O filme dava um post completo, e eu prometo que volto para falar sobre ele em uma oportunidade vindoura.

Bravura Indômita é o Jeff Bridges solto, com aquela barba imponente, de tapa-olho e bêbado. São os irmãos Coen abrindo mão das suas bizarrices para fazer um faroeste responsa. É o Josh Brolin fazendo o papel de bandido feio, e uma menina de 14 anos bastante convincente no papel de mocinha irritante. E você só precisaria ter lido a primeira frase para entender porque o filme é tão bacana.

Cisne Negro foi uma decepção para mim. Eu gosto do Aronofsky, mesmo quando ele comete coisas como Fonte da Vida, então quando soube que o próximo filme dele era sobre balé e loucura eu fiquei empolgado para cacete. Com quinze minutos de filme o diretor entrega os rumos que ele pretende tomar. Concordo que a história não tinha muito para onde ir, mas do ponto de vista estético não há nenhuma ousadia. Mesmo com a atuação visceral de Natalie Portman, mesmo sendo o clímax do filme um espetáculo, nada me deixou realmente impactado. Cisne Negro é um filme de soluções fáceis.

127 Horas só entrou nessa lista porque o Boyle deu uma carteirada. James Franco está bem, mas o filme tem uma cadência esquisita. Ok, a tensão é de foder, mas o título te faz acreditar que você vai ver um filme sobre a angústia da passagem do tempo, e você acaba ficando tenso com a expectativa pelo desfecho já conhecido da história.

O Discurso do Rei é que nem A Rainha, um filme bonzinho que alguém achou que era maravilhoso só porque tinha a família real britânica. Colin Firth está muito bem como o príncipe gago, mas sou fã mesmo é do Geoffrey Rush. O grande problema do filme é que ele passa e você fica com a sensação de que ele não aconteceu.

Se o mundo fosse um lugar realmente bacana, Minhas Mães e Meu Pai não estaria no Oscar, e sim sendo exibido na Sessão da Tarde, talvez com algumas ceninhas de sexo a menos. Annette Bening, eu te adoro, sou grande admirador do seu marido, mas acho que a sua atuação foi bastante feijão com arroz. E teremos outro Bruce Banner indicado ao Oscar.

The Fighter (porque eu me recuso a chamar esse filme pelo título no Brasil) é um filme de luta e filmes de luta moldaram meu caráter. A trama é um pouquinho mais compplexa do que a maioria dos filmes de luta, por conta da quantidade de elementos na história, mas isso deixa a coisa mais atraente, e embora o final seja óbvio, você se emociona assim mesmo. Palmas para Christian Bale que mostra que O Operário não foi um caso isolado.

Inverno da Alma não é nada demais. Uma história brutal sobre as mazelas humanas contada em tom de documentário, com personagens que parecem reais demais para a ficção, essas coisas não me convencem, porque eu assisti Ilha das Flores com 12 ou 13 anos, já sofri esse impacto. Achei o filme frio e distante. A trama que tenta parecer verossímil é surreal demais. O filme fala de uma realidade completamente diferente da nossa, mas não consegue nos fazer conectar aquele universo. Mesmo com uma lista de dez filmes, indicar esse é um erro.

Em 1999 eu fui ao cinema seis vezes ver Matrix, porque aquela história e aquele visual me arrebataram de maneira tal que eu sentia que precisava ver e rever e rever aquele filme. Mas isso nunca quis dizer que Matrix merecesse ser indicado ao Oscar de melhor filme, e vocês podem atribuir isso a uma caretice minha. Ano passado eu vi A Origem e fiquei impressionado com o filme, a ponto de me sentir imediatamente transportado para aquele momento em que eu acabei de ver Matrix pela primeira vez. A grande diferença, é que eu não tenho a menor vontade de ver A Origem novamente, e eu não posso esperar que a “sombra” tenha uma glória maior que o “objeto”.

Palpites e preferências

Aqui é mais simples. Para cada categoria que eu colocar eu vou colocar quem eu acho que vai ganhar e quem eu prefiro, com comentários em seguida, se for o caso.

Melhor Montagem:

Quem deve ganhar: A Rede Social

Quem eu prefiro: A Rede Social

Batata, o filme é ágil sem correria, e a maneira como as cenas se alternam é ótima. 127 Horas peca justamente na montagem, e os outros são qualquer coisa.

Melhor Fotografia:

Quem deve ganhar: Cisne Negro

Quem eu prefiro: A Origem

A câmara que gira com e como os bailarinos de Cisne Negro deve levar essa. Eu até fiz questão de rever Bravura Indômita em uma cópia menor porque sabia que aquelas imagens do deserto estariam bonitas para cacete, mas ainda fico com a câmera vertiginosa de A Origem.

Melhor Roteiro Adaptado:

Quem deve ganhar: A Rede Social

Quem eu prefiro: A Rede Social

Eu li as 5 primeiras páginas do livro Bilionário por acaso, e aquilo estava muito longe de parecer uma narrativa linear. E ainda assim o roteiro do filme reflete a juventude dos seus protagonistas, é ágil e envolvente. O primeiro diálogo do filme é um cartão de visitas daqueles.

Melhor Roteiro Original:

Quem deve ganhar: O Discurso do Rei

Quem eu prefiro: The Fighter

A Origem tem o plot mais original entre os quatro indicados que eu assisti, mas a academia deve se curvar ao insosso filme inglês.

Melhor Atriz Coadjuvante:

Quem deve ganhar: Hailee Steinfield, de Bravura Indômita

Quem eu prefiro: Melissa Leo de, The Fighter

Não seria injusto premiar Hailee, mas eu me apaixonei pela mãe irlandesa tresloucada de Melissa Leo.

Melhor Ator Coadjuvante:

Quem deve ganhar: Christian Bale, de The Fighter

Quem eu prefiro: Geoffrey Rush, de O Discurso do Rei

Bale dá profundidade a um personagem que boa parte do tempo age superficialmente, e quando o tom muda ele leva o personagem junto com ele. Mas eu sou fã do Geoffrey Rush, e poucos atores no mundo podem fazer um plebeu colono chaamar o rei de “Betão” e você acreditar naquilo.

Melhor Atriz:

Quem deve ganhar: Natalie Portman, de Cisne Negro

Quem eu prefiro: Natalie Portman, de Cisne Negro

Perfeita. Eu não vejo nenhum defeito na atuação dela.

Melhor Ator:

Quem deve ganhar: Colin Firth, de O Discurso do Rei

Quem eu prefiro: Jeff Bridges, de Bravura Indômita

A atuação do Colin Firth é sutil, mas absolutamente encantadora. Se Jeff Bridges não estivesse por aqui, bêbado, caolho, louco e com aquela barba, eu também escolheria o inglês.

Melhor Diretor:

Quem deve ganhar: David Fincher, de A Rede Social

Quem eu prefiro: David Fincher, de A Rede Social

A academia sabe que deve a Fincher, não por Benjamin Button, mas por Zodíaco, e talvez até por Clube da Luta.

Melhor Filme:

Quem deve ganhar: A Rede Social

Quem eu prefiro: Toy Story 3

Até ver Cisne Negro, eu achava que A Rede Social levava com facilidade, mas o filme de Aronofsky se mostrou mais suntuoso que eu esperava, então não me surpreenderia se a academia optasse por ele. Mas nenhum dos dois é melhor que Toy Story 3

E você, tem algum palpite? Discordou de mim? Aproveita a caixa de comentários aí.

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