O Som ao Redor

Quem são seus vizinhos? Quem faz parte da comunidade que te cerca? Como ela foi formada? Como cada uma das pessoas que mora ao seu redor chegou até aí? São perguntas difíceis de serem respondidas, né? Então vou sacar uma que vai ser bem mais fácil de responder: como seus vizinhos te afetam?

O Som ao Redor (Brasil, 2013) mostra o dia da comunidade, mas não como entidade única e orgânica, e sim como uma colagem de pessoas diferentes que vez ou outra interferem ou sofrem interferência do microcosmos ao seu redor. Nesse sentido, dá para dizer tranquilamente que o ritmo como a história é conduzida, com seus planos longos e contemplativos trabalha muito bem para entramos no cotidiano da dona-de-casa ordinária que tem no cachorro do vizinho seu algoz, ou na vida do corretor de imóveis por força das circunstâncias. Vale ressaltar também a primorosa edição de som, que faz do silêncio ou dos pequenos ruídos elementos fundamentais para a construção de um cotidiano onde aparentemente nada acontece.

Sim, o cotidiano dos personagens é aparentemente estático, monótono. Como na vida real, reviravoltas não acontecem o tempo inteiro, como as pessoas esperam que seja num filme. Em O Som ao Redor as vidas seguem seus cursos esperados, cada qual com sua cadência lenta. Mesmo o surgimento da milícia, que a sinopse do filme trata como o ponto de virada na trama, em pouco afeta o dia-a-dia daquelas pessoas, que seguem suas vidas pacatas, envolvidas com seus próprios problemas.

Muito bacana ver um filme com tamanho apuro técnico (e me perdoem o ufanismo, mais legal ainda ele ser brasileiro). Um fotografia lindíssima, que contribui para a construção de planos impressionantes, sóbrios, mas tão cheios de beleza e força, que me arrisco a dizer que o filme não tem nenhum plano desnecessário ou descartável.

Tremendo filme, muito feliz na ideia de mostrar o indivíduo a partir do coletivo, para voltar a inseri-lo no coletivo. Realização muito feliz do cinema pernambucano e candidato desde já a melhor filme nacional do ano.

Cotação: 7 de 7 cachorros latindo.

Um adendinho: tô até agora tentando entender a sinopse “A presença de uma milícia em uma rua de classe média na zona sul do Recife muda a vida dos moradores do local. Ao mesmo tempo em que alguns comemoram a tranquilidade trazida pela segurança privada, outros passam por momentos de extrema tensão.” Hein?!

 

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2 Responses to O Som ao Redor

  1. @Marakrist disse:

    Ótimo texto.Que bom esse pessoal de Pernambuco fazendo um cinema de primeira.
    Sobre as sinopses … e a do Cinema em Cena ? “A chegada de uma empresa de segurança a um calmo bairro de Recife muda a vida de uma mulher.” ?????

    • oluquetucho disse:

      Eu acho que as sinopses vem prontas das distribuidoras, e alguém lá não soube muito bem como resumir o filme. 🙂

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