SWU é para jacu – parte 4

Eu sou um sujeito cético. Desconfio de fenômenos misteriosos que as pessoas dizem testemunhar, e até desconfio de certas ciências. Mas jamais esquecerei o que meus olhos viram naquela noite. Quando o Rage Against the Machine subiu ao palco, eu vi um homem ficar invisível.

Recapitulando: litros de chimarrão, café, energético e comprimidos de guaraná proporcionaram ao Bill a maior ingestão de cafeína que alguém pode tomar de uma vez. A energia era tanta, que ele começou a vibrar muito rápido, tão rápido que ele simplesmente desapareceu. Eu poderia dar a explicação física sobre como ele passou a vibrar numa frequência que o olho humano não captava, mas a verdade é que naquele momento Bill estava transitando entre diferentes planos da existência.

O grande problema é que quando ele reaparecia no nosso plano, ele acabava esbarrando nas pessoas que tentavam assistir o show. Então passei boa parte do show me desculpando com quem estava em volta. E sem necessidade, porque quase todos estavam tomados pela comoção de presenciar um fenômeno único e fantástico.

Quando o show acabou, Bill parecia menos energizado, e demos uma volta pelas belíssimas instalações do evento. 5 minutos depois desistimos e resolvemos ir embora. Assim que sentou no carro, Bill desmaiou de sono. Eu me ocupei de ligar para hotéis e pousadas da região. Para tentar conseguir onde dormir.

Sim, foi exatamente isso que você entendeu. Era madrugada, estávamos a quinhentos quilômetros de casa, e não tínhamos a menor ideia de onde iríamos dormir.

Liguei para os hotéis, pousadas, motéis, pensionatos e puteiros da região, mas nenhum deles tinha vaga. Ora, longe de nós desprezar a portentosa Itu, mas não dava pra achar que a rede hoteleira da cidade desse conta de um evento daquele porte, mesmo que o evento tivesse um camping sustentável onde você podia pagar R$ 6,00 por uma garrafinha (de plástico) de água mineral.

Com a sua calma característica, Tiozão proferiu pela primeira vez aquela frase que seria ouvida novamente naquela noite: “agora fodeu a porra toda”. Mas Bill subitamente acordou e disse com um tom que nos encheu de coragem: “te acalmem, pombas! Vamos para São Paulo, acharemos um hotel lá”.

Ele só não contava que talvez fosse tão difícil achar São Paulo.

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One Response to SWU é para jacu – parte 4

  1. Oculto disse:

    Mais, mais!

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