A reforma tributária feita na base de palavrões

27/04/2011

A história começa com um vídeo do Felipe Neto sobre o #precojusto.

Admito que minha primeira reação foi mencionar o Classe Média Sofre. Não tem nada mais classe média que um vlogueiro de Ray-Ban reclamando dos preços absurdos de iPads, Playstations e Blu-Rays do Harry Potter. Mas o desenrolar dos meus comentários no twitter (esse, esse e esse, por exemplo) tornam o debate necessário.

Vou resumir o vídeo. Em oito minutos, com muitos gritos e 36 palavrões, Felipe reclama da alta carga tributária brasileira sobre eletrônicos importados, jogos de videogame e Blu-Rays. Que a carga tributária brasileira é alta todo mundo sabe, mas os exemplos que o Felipe Neto usa são emblemáticos. O movimento é da classe média para a classe média. Ele não fala dos impostos em cascata sobre alimentos, não fala sobre o ICMS abusivo que os estados cobram sobre medicamentos. O problema aqui é com os importados.

Embora seja um pouco descabido no Brasil, país com tantas injustiças e brutal desigualdade de renda, acho que a classe média tem sim o direito de reclamar e protestar por iPads mais baratos. Uma democracia é isso, Felipe Neto com seus milhões de espectadores, falar para esse público sobre o que é um problema da classe deles. A classe média brasileira sempre se guiou pelo “ema ema ema”, não dá para esperar uma mudança a essa altura do campeonato, muito menos vindo de um garoto de 23 anos e seu público ainda mais jovem em sua maioria.

Fui lá dar uma lida no manifesto do #precojusto. Achei bem razoável, embora eu não tenha entendido bem o final:

“O manifesto #PrecoJusto tem o objetivo de enviar para Brasília a nossa insatisfação e revolta. Nele, basta você assinar com seu nome, email e CPF que nós tomaremos todas as medidas necessárias para que enxerguem nossa manifestação e, assim, possamos sair da Internet para conseguirmos uma lei.”

Então eles vão pegar um milhão de assinaturas e entregar ao “governo”, assim como se o governo fosse uma pessoa como uma queixa? Não tem nenhum senador ou deputado para quem eles queiram entregar? Não existe nenhuma proposta emenda constitucional que reduza a carga tributária, mesmo que seja só o imposto sobre importação? Então vocês querem ir até o governo entregar uma reclamação com um milhão de assinaturas?

Aí eu me lembrei do Jogo Justo, movimento que conheci no Nerdcast. A idéia é mudar a classificação fiscal dos videogames, para que a tributação recue um pouco. Hoje, videogame é considerado pela receita federal uma máquina eletrônica de jogo de azar, por isso o imposto sobre ela é tão agressivo.  Para dar corpo ao movimento, os caras organizam pequenas feiras onde você pode comprar jogos de videogame a preços módicos.

Embora o Jogo Justo seja um movimento restrito aos games, os caras tem um propósito claro sabem como buscar esse objetivo. Além disso, eles estão criando de si, com as feiras, comunidades para apoiá-los, estão buscando apoio popular. Por outro lado, o Preço Justo do Felipe Neto tem o próprio e a sua audiência e um vídeo com muita histeria, tudo isso para levar até Brasília um documento com… o maior mimimi do Brasil.

Mas não serei eu o reacionário. Vou assinar o manifesto, vou botar na mão do Felipe Neto e esperar que ele segure e agite. Vou fazer a minha parte e deixar que ele honre o compromisso de entregar isso pessoalmente a Dilma Rousseff. Se com um milhão de assinaturas Felipe Neto vai fazer a primeira revolução de sofá do Brasil, não sou que vou impedir.

Mas e se não der em nada, as centenas de fãs dele que me xingaram aqui e no Twitter vão cobrar alguma coisa dele?

Update:

O Rob Gordon também foi alvo dos trollzinhos que seguem o Felipe Neto, e publicou uma impagável resposta a eles.


Um discurso e uma pergunta

08/02/2010

“Mas é isso que é a juventude que diz que quer tomar o poder? Vocês têm coragem de aplaudir, este ano, uma música, um tipo de música que vocês não teriam coragem de aplaudir no ano passado? São a mesma juventude que vão sempre, sempre, matar amanhã o velhote inimigo que morreu ontem? Vocês não estão entendendo nada, nada, nada, absolutamente nada. Hoje não tem Fernando Pessoa. Eu hoje vim dizer aqui, que quem teve coragem de assumir a estrutura de festival, não com o medo que o senhor Chico de Assis pediu, mas com a coragem, quem teve essa coragem de assumir essa estrutura e fazê-la explodir foi Gilberto Gil e fui eu. Não foi ninguém, foi Gilberto Gil e fui eu!”

“Vocês estão por fora! Vocês não dão pra entender. Mas que juventude é essa? Que juventude é essa? Vocês jamais conterão ninguém. Vocês são iguais sabem a quem? São iguais sabem a quem? Tem som no microfone? Vocês são iguais sabem a quem? Àqueles que foram na Roda Viva e espancaram os atores! Vocês não diferem em nada deles, vocês não diferem em nada. E por falar nisso, viva Cacilda Becker! Viva Cacilda Becker! Eu tinha me comprometido a dar esse viva aqui, não tem nada a ver com vocês. O problema é o seguinte: estão querendo policiar a música brasileira. O Maranhão apresentou, este ano, uma música com arranjo de charleston. Sabem o que foi? Foi a Gabriela do ano passado, que ele não teve coragem de, no ano passado, apresentar por ser americana. Mas eu e Gil já abrimos o caminho. O que é que vocês querem? Eu vim aqui para acabar com isso!”

“Eu quero dizer ao júri: me desclassifique. Eu não tenho nada a ver com isso. Nada a ver com isso. Gilberto Gil (entrando no palco). Gilberto Gil está aqui comigo, para nós acabarmos com o festival e com toda a imbecilidade que reina no Brasil. Para acabar com isso tudo de uma vez. Nós só entramos no festival pra isso. Não é Gil? Não fingimos. Não fingimos aqui que desconhecemos o que seja festival, não. Ninguém nunca me ouviu falar assim. Entendeu? Eu só queria dizer isso, baby. Sabe como é? Nós, eu e ele, tivemos coragem de entrar em todas as estruturas e sair de todas. E vocês? Se vocês forem… se vocês, em política, forem como são em estética, estamos feitos! Me desclassifiquem junto com o Gil! Junto com ele, tá entendendo? E quanto a vocês… O júri é muito simpático, mas é incompetente.”

“Deus está solto!”

– Caetano Veloso, em meio às vaias no III Festival Internacional da Canção, 1968 –

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E afinal, éramos (ou somos ainda) em política como somos em estética?


A Morte de Pollyanna

19/08/2009

Espantou-me a quantidade de pessoas chocadas com o ocorrido hoje no senado. A única coisa que estava fora do esperado, foi a decisão do Flávio Arns de se desligar do PT, mas não pela decisão em si, mas sim pelo tempo que o nobre senador levou para descobrir que as legendas do partido mudaram bastante desde 2002.

A quantidade de manifestos de pessoas indignadas que ouvi e li por aí me levou a seguinte pergunta: fui eu quem pus um dos meus pés no niilismo, ou eu passei a vida cercado de Pollyannas sem saber?

Só precisei de cinco minutos para descobrir que as Pollyannas abundavam, mas hoje houve um verdadeiro suicídio coletivo entre elas. O “Jogo do Contente” não faz o menor sentido para quem acompanha a política nacional.


Carta de apoio a José Sarney

23/07/2009

Caro senado José Sarney,

Eu tenho acompanhado com o olhar um pouco distante as pancadas que o senhor e sua família têm recebido, por conta de esquemas estranhíssimos, nepotismo, atos secretos e o tipo de bandalheira sobre a qual não vou entrar em detalhes. Cada uma dessas pancadas é merecida, um homem na sua posição, com mais de cinquenta anos de vida pública, político da situação, seja qual for a situação, tem mais é que aprender a não incorrer em sacanagens amadorísticas, tampouco deixar a família fugir do seu controle e aprontar sem o seu consentimento.

Como era de se esperar, todo mundo por aí começou a pedir sua cabeça. Querem que você deixe não só à presidência do Senado, mas também o seu cargo vitalício de senador. A pressão é forte na mídia, na opinião pública e até no twitter, onde surgiu um movimento que deve ter tirado seu sono, dado o engajamento e o poder de mobilização dos envolvidos.

Mas eu não engrosso esse coro, senador. Estou aqui para dizer que acho que o senhor deve sim, continuar na cadeira de presidente do senado, um coro que não partiu de uma iniciativa minha, e não é de todo original, admito, mas do qual faço parte de bom grado.  Que fique claro aqui, que minha preocupação não é, como no caso do presidente Lula e de uma parte do PT, com a governabilidade. Eu apenas gostaria de lembrar que isso seria um fim ótimo para a sua biografia.

Zé Sarney, fica aí! Fique, mas ligue o ventilador, levante os tapetes para que a sujeira apareça, vá ao arquivo morto da casa (e talvez da República inteira) e apanhe os sacos de merda. Fique, mas dê nome aos bois, diga como cada senador corrupto se aproveita do dinheiro público, mostre como e por que cada funcionário do senado foi parar lá, chame Agaciel Maia e diga a ele que o tempo do silêncio acabou e que nada mais há a temer. Não poupe nenhum senador, seja qual for o partido. E não mantenha sua devassa restrita ao Senado, eu sei que o senhor é bastante influente na Câmara dos deputados, e que conhece pontas soltas o suficiente para começar a limpeza da casa nos moldes da que estaria sendo promovida no senado.

Faça mais. Vá aos demais poderes da República e exponha suas mazelas. Mostre onde se esconde cada conduta irregular que o senhor possa conhecer no poder executivo e seus ministérios de nomeações infinitas. Abra a caixa-preta do poder judiciário e saque do bolso todos os juízes que você puder, em todas as esferas da justiça. Não permita que sobre um só grão de irregularidade entre todas as que o senhor conhece. Traga à luz, tudo de podre alojado no lado escuro da república.

Eu sei que para isso, você terá que cortar na própria carne. Então comece pela sua família. Diga a sua filha, para renunciar ao Governo do Maranhão, estranhamente dado a ela de presente por uma decisão judicial. Diga aos seus filhos que cortem qualquer relação estranha com empresários malandros, e aos netos que procurem um emprego na iniciativa privada. Transfira seu domicílio eleitoral para o Maranhão, de onde o senhor nunca se mudou, e devolva ao Amapá a cadeira no Senado que lhes é de direito.

Não alimente ilusões sobre a sua biografia. Começou sua carreira política na UDN, foi parar na ARENA, quando a ditadura caiu o senhor foi pro PDS e hoje está no PMDB. Todo mundo sabe que o Maranhão é um estado refém da sua família. “Coronelismo”, “fisiologismo”, “nepotismo” e “clientelismo” são lugares-comuns em qualquer ponto da história política dos Sarney. E uma coisa que eu gosto sempre de lembrar, o senhor sempre foi situação, independente da alternância de poder.

Acha que estou pegando pesado? Se eu começar a falar do seu governo, Plano Cruzado, congelamento de preços, Plano Bresser, Plano Verão, moratória e aquelas histórias esquisitas sobre as obras de construção da Ferrovia Norte-Sul, talvez fique pior. É para continuar falando disso, ou o senhor acha melhor parar?

Senador, o senhor está com 79 anos, já não pode mais achar que vai durar muito tempo. Se quiser fazer alguma coisa para salvar a sua biografia, a hora é agora. Se você fizer metade do que eu te propus aqui, já vão esquecer seu passado. Se você fizer tudo que foi sugerido, provavelmente vão mudar o nome do Maranhão para Sarney, dezenas de milhares de escolas vão passar a se chamar José Sarney, vão criar alguma medalha de honraria de altíssimo grau com seu nome, biografias te retratarão como um herói e na adaptação para o cinema um galã vai lhe interpretar,  vão trocar a estátua de Machado de Assis na ABL por uma sua, maior e mais brilhante e sua cadeira será a mais desejada por qualquer escritor, seja ele quem for.

Não pense que não contei com a possibilidade do povo simplesmente não esquecer seu passado, contei sim. Mas se com uma ficha corrida dessas o nobre senador e sua família mantêm-se no poder, seja no Maranhão, ou usando uma cadeira tomada do Amapá, não vai ser quando realmente agir em prol do povo que será abandonado. Quem o manteve no poder enquanto o senhor os atraiçoava, vai ter muito prazer e cobri-lo de glórias quando o senador assim o merecer.

Mas se não gostou da minha sugestão, fica difícil te defender. Melhor levantar dessa cadeira, reunir a família toda e conduzir todos para fora da cena, longe dos olhares de um povo que um dia ainda vai aprender de que barro você é feito, José Sarney.

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Originalmente publicado em 17 de julho de 2009.


Tico ficou de mal comigo

22/07/2009

A história é longa.

Durante o último jogo da seleção, o Ashton Kutcher (@aplusk) deu uma sacaneada no Twitter enquanto a seleção americana ganhava o jogo. Quando o Brasil virou, os brasileiros começaram a sacanear o cara e mandaram ele chupar. Foi o @christianpior quem levantou a idéia de colocarmos o #Chupa no trending topics do Twitter. Ashton Kutcher, demonstrando ser um cara bem humorado, não só participou da conversa, como também convocou a patroa, Demi Moore (@mrskutcher), para a campanha. Enfim, tem um resumo melhor aqui.

O que me leva a pensar que por um instante, Demi Moore e eu estávamos atuando juntos em uma mesma causa. Quem diria que um dia eu estaria tão próximo dela?

Há algumas semanas o #forasarney tá rolando no Twitter. Mas no começo dessa semana uns manés, que foram maravilhosamente chamados de “subcelebridades” se apropriaram do movimento para eles e tentaram fazer o #forasarney entrar no trending topics do Twitter. Eu poderia narrar como se deu a tentativa e como ela acabou frustrada, mas o xará Lucas Pretti fez isso melhor do que eu faria.

Eu poderia então, debochar sumariamente deles, mas o Cardoso fez isso com maestria que eu jamais teria.

Depois desse papelão, outras subcelebridades resolveram convocar, via Twitter, todos os indignados “comtudoissoqueestáaí” para diversas manifestações em todo Brasil. A frente dessa nova patota de “quase famosos”, Tico Santa Cruz. Durante a mobilização, Bruno Gagliasso, demonstrando grande familiarização com a ferramenta, divulgou seu telefone para todos os usuários que o seguiam.

E a manifestação? Bem, a manifestação não foi lá grandes coisas. Talvez os líderes do movimento tenham superestimado a sua capacidade de mobilização pela fama. No Rio, foram vinte e seis (escrevi por extenso para parecer mais) pessoas.

Diante do fiasco da manifestação, Tico Santa Cruz ficou revoltado e resolveu chamar todo mundo de acomodado no Twitter. Ora, não confunda um acomodado com um pragmático. Se ele deixasse de se comportar como um rebelde sem causa, um ativista das causas intermináveis, e procurasse ações que realmente levassem a construção de alguma coisa, ele entenderia a minha posição. Ideias não constroem prédios. Palavras de ordem só geram perdigotos.

Fiquei indignado sim. O sujeito não me conhece, está visivelmente desorientado e vem me chamar de acomodado. No auge da minha irritação mandei para ele uma pergunta, um questionamento, nada que ofendesse:

É, eu sei, faltou um ponto de interrogação.

É, eu sei, faltou um ponto de interrogação.

Depois disso ele me bloqueou. Sem perceber, Tico Santa Cruz assinou embaixo do que eu vinha dizendo até ali, que faltava maturidade política ao país, que não adianta apenas ir para as ruas gritar, que tem de haver diálogo dentro da sociedade e da sociedade com o poder público. O grande problema foi que Tico acabou também assinando seu atestado de tolo. Um sujeito que se propõe a ocupar o papel que ele ocupa deve estar disposto a receber críticas. Não pode haver brechas para a intransigência, Tico Santa Cruz definitivamente NÃO PODE REPRESENTAR ninguém em seus manifestos, simplesmente porque não tem a capacidade de ouvir uma ideia dissonante.

Eu não gosto de pensar que sou um sujeito muito esperto, mas ás vezes aparecer alguém se achando esperto, dá uma de otário e acaba por levantar a minha moral. Obrigado, Tico Santa Cruz. Não precisava de tanto.

Update: se uma imagem vale mais que mil palavras, quanto vale uma imagem com algumas palavras?

Eu nem reparei nisso.

Eu nem reparei nisso.

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Originalmente publicado em 03 de julho de 2009.


Pequenas notas inúteis

22/07/2009
  • A tal da Twittess malandreou o Twitter e acabou provocando a ira de blogueiros. O Cardoso e o CrisDias dizem que o script utilizado pela moça compromete a avaliação da real relevância dela. Sim, mas e daí? Senhores, o fato da Twittess trapacear para obter tantos seguidores não diminui o espaço e a relevância de ninguém. Quando vocês reclamam disso, fica parecendo vaidade, uma disputa de egos.

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  • Michael Jackson morre via Twitter. Reconheço o ícone que Michael Jackson foi para a música pop na década de oitenta, mas sinceramente fiquei mais triste quando o Bezerra da Silva morreu. Desagradável mesmo é a hipocrisia. Todo mundo tratava o Michael Jackson como a figura bizarra que ele se tornou, mas agora morto o sujeito virou santo de novo. As piadas mais inocentes ás vezes são repreendidas. Essa postura de que a morte redime todos os seus desvios me irrita.

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  • A seleção do Dunga contraria todos as previsões e começa a ganhar com tranquilidade. Contra a África do Sul, jogo mais difícil entre os últimos, o técnico fez uma alteração taticamente inexplicável e o jogador que entra faz o gol salvador aos 42′ do segundo tempo. O Dunga ainda por cima tem sorte. Muita gente ainda fala mal dele, o que me leva a pensar que eu não gostaria de ser treinador da seleção brasileira em nenhuma circunstância.

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  • No Irã a coisa tá feia, mas como bem notou o Marcos, todo mundo fala do Irã porque é o hype da vez. Há, contando muito por baixo, pelo menos mais uma dúzia de ditaduras cruéis espalhadas pelo mundo. O único diferencial lá no Irã foi a maneira como foram utilizadas novas mídias, especialmente o Twitter. No fim das contas a mídia tradicional teve que se deixar passar a mão na bunda. Deve ser triste ser anacrônico.

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  • Corram do novo ‘Exterminador do Futuro’. O visual ás vezes é bacana, mas o roteiro é uma peneira, as situações clichê se multiplicam, as melhores sequências são as “inspiradas” nos filmes anteriores da série, e, com exceção de Sam Worthington, todas as atuações são ridículas. A franquia que estava combalida depois do T3 (que pelo menos tinha o Schwarza) foi pro sal de vez. Se alguém tiver o telefone do James Cameron, agradeço.

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  • Por falar em cinema, as fotos do novo filme do Tim Burton me deixaram chapado. Famoso pelo estilo bizarro, o sujeito resolveu adaptar ‘Alice no País das Maravilhas’ e ‘Através do Espelho’, que como todo mundo sabe são livros tão fantasticamente malucos que até a adaptação da Disney foi lisérgica. No elenco, os suspeitos de sempre.

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  • Estou tentando ficar um mês sem beber. Mandem suas energias positivas, eu vou precisar.

Sarney tem razão

22/07/2009

Em quem você votou para o congresso nas últimas eleições? Em qual partido eles estão hoje? De qual eram? Quem eram os suplentes dos seus candidatos a senador?

As perguntas são lugar-comum no Brasil Toda vez que alguém quer falar que o brasileiro vota mal essa  questões surgem. Não é de se espantar que o congresso nacional, as assembléias legislativas e câmaras de vereadores estejam infestadas de podridão e escândalos como esses que nos chocam todo dia, enquanto a gente assiste ao Jornal Nacional, ou lê  O Globo ou A Nova Corja.

E o que fazemos quando passa o choque? O segredo para mudar o que tanto nos incomoda na política brasileira está na resposta a essa pergunta. Indignação de botique como o movimento Cansei pode até acender fagulhas, mas de concreto nada produzirá. Manifestações indignadas no Twitter, Facebook, Orkut ou qualquer outro desses sites também tem pouca efetividade. Se apenas palavras de ordem adiantassem alguma coisa, o PSTU estaria no poder. Apenas idéias não são o suficiente para construir prédios, então não adianta uma idéia brilhante, é preciso colocar em prática.

Quando Sarney disse que a crise não era dele e sim do senado, ele tinha razão, o que não quer dizer que ele seja inocente. Mas acho que faltou coragem (ou sobrou bom senso) no velhaco para dizer que se o senado hoje está afundado em lama não é por culpa única e exclusivamente dos membros da casa, mas também de quem os elegeu e, após aquele domingo de outubro, nunca mais procurou saber a respeito do sujeito ao qual foi dado um voto de confiança. A crise do senado, é sua e minha.

Falta ao brasileiro maturidade política para entender que democracia não se constrói só com sufrágio universal. Um dia a gente chega lá. Mas até que isso aconteça, não venham me dizer que não votar resolve. A omissão não é a maneira mais inteligente de mudar nada.

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Originalmente publicado em24 de junho de 2009.