Maratona Oscar 2013 – Comentários gerais

24/02/2013
  • Foram 31 filmes no total. Até o dia da indicação eu tinha visto apenas 5 filmes. Os demais 26, vi entre 10/01 e 19/02, numa média de quase um filme a cada dois dias.
  • Dos 31 filmes, 16 eu vi no cinema. Dos que vi em casa, 7 já haviam saído de cartaz, 3 ainda não estrearam no Brasil.
  • Os 31 filmes totalizam 3.774 minutos, ou quase 63 horas de duração.
  • Confirmadas as expectativas, o grande derrotado da noite será Lincoln, com dois ou três prêmios em 11 possíveis. A derrota só será menor se Spielberg ganhar a estatueta como diretor.
  • Por outro lado, Argo sem dúvida vai ser o maior vencedor da noite, com 4 ou 5 prêmios, inclusive o de melhor filme. Vamos esperar para ver se farão alguma menção a não indicação de Ben Affleck.
  • Alguns indicados que não são meus favoritos, mas eu ficaria feliz se ganhassem: Amor e Django (melhor filme); Exceto o Voo, qualquer outro roteiro original indicado; Joaquin Phoenix como melhor ator; De Niro como ator coadjuvante; Emanuelle Riva e Jessica Chastain na categoria de atriz; Jacki Weaver ou Amy Adams como atrizes coadjuvantes; o longa de animação Paranorman; o filme estrangeiro No; a fotografia de Django e a montagem de A Hora Mais Escura.
  • Adele com sua canção “Skyfall” é barbada. Seria bacana se no seu discurso ela mencionasse outros compositores e intérpretes de canções tema de filmes da franquia 007.
  • A lista de indicados a melhor filme está homogênea, mas não dá pra dizer que é brilhante. Tem dois filmaços (Amor e A Hora Mais Escura), cinco bons filmes (Argo, Indomável Sonhadora, O Lado Bom da vida, As Aventuras de Pi e Django) e dois filmes ruins (Os Miseráveis e Lincoln).
  • Naomi Watts, Alan Arkin, Helen Hunt e Denzel Washington são os azarões nas categorias de atuação.

No mais, estarei comentando ao vivo a cerimônia pelo Twitter.


Oscar 2013 – Palpites, pitacos e resmungos

21/02/2013

Já virou uma tradição entre os amigos a Maratona do Oscar. No primeiro ano fomos tímidos e assistimos os indicados a melhor filme. No segundo fomos além e vimos também os que foram indicados por atuação, roteiro, direção, montagem e fotografia. Esse ano enlouquecemos de vez, ampliamos a lista e vimos quase todos os filmes indicados. Vou colocar a lista das categorias contempladas aqui, só para vocês terem uma ideia do barulho: filme, diretor, roteiro, atuação (protagonistas e coadjuvantes), longa de animação, filme estrangeiro, fotografia, montagem, design de produção, trilha sonora, maquiagem, edição de som, mixagem de som, efeitos visuais e figurino. Foram trinta e um filmes assistidos para poder dar conta de palpitar sobre cada uma das categorias.

Nessa lista foram algumas porcarias pesadas, bons filmes e uns dois ou três filmaços. Muito filme que entra por lobby, muita indicação meio sem sentido e não indicações completamente sem sentido. Mas não estou aqui (por enquanto) para reclamar dos membros da Academia (mentira, porque tem um filme que foi injustiçado pra cacete e não vou conseguir me calar quanto a isso) e sim para curtir a premiação intensamente.

Mas antes de começar a palpitar, vamos dar uma passada rápida pelos indicados a melhor filme do ano. Se você quiser uma opinião mais elaborada sobre os filmes, dá uma olhada no  meu perfil no Letterboxd, ou deixa um comentário aí que trabalharemos.

Os Melhores Filmes do Ano

Argo é um filme sobre Hollywood salvando americanos inocentes. Falando desse jeito, parece que estou fazendo pouco do filme, mas não é o caso. Falei porque é importante ter isso em mente para entender o barulho que o filme vem causando nas premiações por onde passa. O roteiro é bom a direção é boa e segura, exceto pela escolha do ator principal. O Ben Affleck diminuiu bastante o filme ao se escalar como protagonista, não só por ele ser um ator ruim, mas por não saber se dirigir. O filme é bom, mesmo com aquele epílogo quase constrangedor e aquela ostentação pueril nos créditos finais.

Em Amor o fim da vida é uma janela com vista para lugar nenhum. Um bruta filme bruto sobre amar até o fim. A direção do Haneke é segura, mantendo o espectador sempre muito próximo dos seus personagens e imerso no processo que faz a personagem de Emanuelle Riva definhar. O roteiro te conta o fim da história quase como uma crueldade. Tocante, com um tema muito delicado, mas sem jamais ser melodramático. Filmaço.

Indomável Sonhadora tem um conjunto roteiro + direção que estabelecem uma lógica interna brilhante e muito bonita. O problema é que a curva dramática do roteiro, “criança que cresce em condições adversas”, é batidíssma. Não desmerece o filme, mas não explica a devoção que muita gente tem por ele. Nada contra ser tão apaixonado pela fita, até tenho amigos que são, mas não acho que ele tá na lista cumprindo a cota de filmes independente, e ter Sundance na bagagem ajuda bastante.

Django Livre é Tarantino sendo Tarantino. Elenco escolhido a dedo, diálogos geniais, situações absurdas e muita referência. Com uma dose cavalar de western spaghetti e outra de blaxploitation o diretor e roteirista retrata uma América escravocrata onde um escravo liberto pode trabalhar para um caçador de recompensas, ir atrás da sua amada e se vingar de todos os brancos que representam o que há de mais detestável na cultura escravocrata no caminho.

Quanto mais eu penso em Os Miseráveis, mais eu tenho vontade de dar uma surra no seu diretor, Tom Hooper. Eu detesto musicais, mas gostei bastante da dinâmica do filme, em que as falas são praticamente todas cantadas, porque assim o filme fica mais orgânico, e não rola aquele esquema bizarro de musicais “eu vou te matar, mas antes vou cantar uma musiquinha e dançar um pouco”. As músicas são belíssimas, e o elenco é ótimo. Mas daí Hopper dirige o filme como quem dirige uma novela da Globo (frase do Vollu que resume tudo) e me impede de pela primeira vez na vida me apaixonar por um musical.

As Aventuras de Pi é um filme visualmente belíssimo, mas com uma mensagem tão batida quanto insossa. Se a premissa do jovem que tem sua fé testada é bonita, o desenvolvimento parece ter sido escrito pelo Bono e a conclusão é tão constrangedora quanto um comediante que explica uma piada ruim. Mas Ang Lee está lá para te sensibilizar e te fazer acreditar na jornada solitária do menino que naufraga tendo apenas a companhia de Deus e de um tigre.

Uma biografia de um herói americano no momento mais importante da sua vida é Spielberg fazendo filme para concorrer ao Oscar. O problema é que em Lincoln ele exagera na pintura elogiosa do biografado, construindo um personagem que não parece um ser humano qualquer, mas um homem superior, que veio ao mundo para salvar a América da escravidão. Forçando a barra ao tentar sensibilizar o espectador e ignorando completamente o papel dos negros no processo, o filme tá nessa lista muito mais pela grife do que pelo que é.

O Lado Bom da Vida é um filme sobre desajustados, muito bonitinho e com uma lógica espertinha. Se apóia no seu elenco, todo muito bem afinado no filme. Mérito do diretor David O. Russel, que fez até Robert De Niro voltar a atuar. O filme tem bons momentos, mas seu maior trunfo para ter sido indicado é Harvey Weinstein produtor famoso por ser uma espécie de Midas do Oscar, tendo no currículo inclusive a façanha descolar uma estatueta para Shakespeare Apaixonado.

A caçada a Osama Bin Laden é retratada com sobriedade e sem pirotecnias em A Hora Mais Escura. Aqui vale a pegada “depois do que nos fizeram, podemos tudo” que justifica a tortura utilizada largamente pela CIA, mas é um bom filme sobre a obsessão coletiva que era achar o terrorista. Trabalho de direção primoroso de Kathryn Bigelow que foge de todos os excessos que um filme como esse poderia carregar na sua bagagem.

Preferências e Palpites

Melhor Maquiagem e Penteado

Quem deve levar: Os Miseráveis

Quem eu prefiro: Os Miseráveis

Faltou alguém?: Anna Karenina

Anthony Hopkins ficou bem caracterizado como Hitchcock, mas o filme não vai além disso. Em Os Miseráveis o trabalho feito para que cada personagem sentisse ao seu modo a passagem dos anos é maravilhoso. Numa lista com apenas três indicados, podiam ter incluído o belíssimo trabalho de Anna Karenina.

Melhor Edição de Som

Quem deve levar: Argo

Quem eu prefiro: Argo

Faltou alguém?: Amor

Aqui os trabalhos são ótimos e qualquer um dos indicados faz jus a indicação. Mas justamente por serem filmes mais realistas, Argo e a Hora Mais Escura saem na frente, com vantagem sutil para o filme do Affleck. Admito que fiquei na dúvida para escolher, mas fiquei com Argo. Faltou uma indicação para Amor, que tem cenas importantíssimas com a ação fora do quadro e apenas o som orientando o espectador, e merecia ter o trabalho destacado.

Melhor Mixagem de Som

Quem deve levar: Argo

Quem eu prefiro: Argo

Faltou alguém?: não

Os Miseráveis fez um oba oba danado com a história de ter gravado ao vivo a cantoria dos atores, mas não deve levar. E é justo, porque se a edição de som de Argo é boa, a mixagem é perfeita, trabalhando inclusive a favor da montagem do filme.

Melhores Efeitos Visuais

Quem deve levar: As Aventuras de Pi

Quem eu prefiro: As Aventuras de Pi

Faltou Alguém?: O Impossível

A Weta é boa de ganhar Oscar, mas seu trabalho em O Hobbit é mais do mesmo que já foi visto em na trilogia Senhor dos Anéis. Só que Richard Parker é real como nenhum outro animal criado digitalmente já foi. A lamentar numa lista que tem trabalhos óbvios como Os Vingadores e Branca de Neve e o Caçador (que não trazem nenhum efeito realmente interessante) a ausência de O Impossível, que tem uma sequência inacreditável com um tsunami.

Melhor Design de Produção

Quem deve ganhar: Anna Karenina

Quem eu prefiro: Anna Karenina

Faltou alguém?: A Viagem

O design de produção de Anna Karenina não é só o mais bonito entre os indicados, mas é também o mais inteligente. Trabalho para aplaudir de pé com gosto, porque te joga com força dentro do universo criado para o filme. Francamente não entendo a indicação de Os Miseráveis, porque com a obsessão do Tom Hooper por planos fechados eu não vi muito além dos rostos dos atores, e o filme podia perfeitamente dar lugar a A Viagem, que cria cinco ambientações completamente distintas e reais (mesmo as futuristas).

Melhor Figurino

Quem deve ganhar: Anna Karenina

Quem eu prefiro: Anna Karenina

Faltou alguém?: A Viagem

Novamente, Anna Karenina tem o figurino mais bonito e inteligente dentre os indicados. Pode parecer implicância, mas Branca de Neve e o Caçador nem devia estar nessa lista, porque o figurino quando acerta é óbvio. Lamentável a ausência de A Viagem que, assim como no Design de Produção, cria figurinos ótimos para as suas cinco tramas paralelas.

Melhor Trilha Sonora

Quem deve ganhar: As Aventuras de Pi

Quem eu prefiro: Argo

Faltou alguém?: O Mestre

As Aventuras de Pi tem longas sequências de silêncio, isso ajuda bastante a trilha. Gosto da de Argo por ser a medida certa do filme, alternando da diversão de Hollywood para a paranóia de Teerã com sutileza. A se lamentar a excelente trilha de O Mestre, composta por John Greenwood, guitarrista do Radiohead.

Melhor Fotografia

Quem deve ganhar: As Aventuras de Pi

Quem eu prefiro: Skyfall

Faltou alguém?: A Hora Mais Escura

Não tinha como eu não escolher Skyfall, trabalho brilhante de Roger Deakins, mas a academia provavelmente vai escolher a fotografia em 3D do filme do Ang Lee. Eu dei pela falta de A Hora mais Escura, que tem uma fotografia discreta, mas muito eficiente.

Melhor Montagem

Quem deve ganhar: A Hora Mais Escura

Quem eu prefiro: Argo

Faltou alguém?: não

Sabem o que é curioso sobre a categoria? Eu posso estar enganado e Argo ganhar, mas está entre esses dois filmes, e ambos tem o mesmo montador, William Goldenberg. Escolhi Argo porque fiquei impressionado com a sequência da leitura do roteiro, que é de bater palma no cinema, mas não vai ser injusto se ela perder.

Melhor Longa de Animação

Quem deve ganhar: Detona Ralph

Quem eu prefiro: Detona Ralph

Faltou alguém?: não saberia dizer

Barbada, porque Detona Ralph é o melhor filme da categoria. Valente e Frankenweenie correm por fora, por ser Pixar, o outro por ser Disney também, mas apesar de serem bonitinhos e divertidos, não fazem sombra a Detona Ralph. Esse ano a categoria estava mais fraca que o habitual, em parte por não haver uma animação da DreamWorks de qualidade disputando, e por que o filme da Pixar era bem fraquinho.

Melhor Filme Estrangeiro

Quem deve ganhar: Amor

Quem eu prefiro: Amor

Faltou alguém?: eu não saberia dizer

Outra barbada. Amor foi indicado a melhor filme, leva esse fácil. No geral, a categoria tá bem fraca. War Witch é um filme ruim, Expedição Kon-Tiki e O Amante da Rainha são irregulares. Só No. poderia fazer frente ao filme do Haneke, mas as chances disso acontecer são remotas.

Melhor Atriz Coadjuvante

Quem deve ganhar: Anne Hathaway

Quem eu prefiro: Anne Hathaway

Faltou alguém?: Frances McDormand, por Moonrise Kingdom

Categoria complicadíssima, porque tá todo mundo bem, exceto a Helen Hunt que para mim está fazendo o papel de Helen Hunt. Amy Adams está fascinante no papel da mulher que domina O Mestre, e meu coração quase foi dela. Só que cada vez que eu ouço a Anne Hathaway cantando que “I had a dream, my life would be so different from this hell I’m living” eu fico arrepiado e meus olhos insistem em ficar marejados. A mulher me arrebatou.

Melhor Ator Coadjuvante

Quem deve ganhar: Qualquer um, mas Robert De Niro, Philip Seymour Hoffman e Christoph Waltz tem um pouquinho de vantagem

Quem eu prefiro: Philip Seymour Hoffman

Faltou alguém?: Leonardo DiCaprio, por Django Livre

Só de ver o De Niro atuando eu fiquei emocionado, como quem recebe de volta em casa um parente que estava distante há muito tempo, mas isso não foi o suficiente. Christoph Watlz repete em Django muita coisa do seu papel em Bastardos Inglórios (que lhe rendeu a estatueta) e embora tenha ficado bom, me pareceu reprise. Mas Philip Seymour Hoffman está impressionante no papel do Mestre, emprestando sua fúria, carisma e doçura ao personagem, que em suas mãos fica tão complexo e crível. Lamento a ausência de DiCaprio, que quando entra em cena em Django joga na sombra todo o resto do elenco.

Melhor Atriz

Quem deve ganhar: Emanuelle Riva

Quem eu prefiro: Jennifer Lawrence

Faltou Alguém?: Não. Tá bom assim

Emanuelle Riva é a mulher mais velha indicada ao Oscar de melhor atriz, e isso vai ser lembrado pela Academia que vai escolhê-la no lugar das jovens e promissoras Lawrence e Chastain. Gosto de ambas, mas a maneira como Lawrence trabalha as variações de postura da sua personagem me encantaram. Naomi Watts e Quvenzhané Wallis correm muito por fora.

Melhor Ator

Quem deve ganhar: Daniel Day-Lewis

Quem eu queria ser prefiro: Daniel Day-Lewis

Faltou alguém?: John Hawkes, por As sessões

Mais uma boa categoria. Bradley Cooper e Denzel Washington correm bem por fora com boas atuações. Hugh Jackman é uma das melhores coisas em Os Miseráveis, cantando e atuando com muita segurança. Joaquin Phoenix  está impressionante, numa atuação física e emocionalmente intensa, que torna a relação principal em O Mestre tão fascinante. Mas Daniel Day-Lewis é o elemento que torna Lincoln minimamente crível, e bem, ele é Daniel Day-Lewis. John Hawkes caía bem nessa lista, com uma atuação tão doce do poeta que vive paralisado e em um pulmão de aço.

Melhor Roteiro Adaptado

Quem deve ganhar: Argo

Quem eu prefiro: Argo

Faltou alguém?: Não me ocorre

Acho que aí só Argo tem força para ganhar o prêmio, principalmente porque não foi indicado a melhor diretor. Eu mesmo, voto por eliminação. As Aventuras de Pi tem aquele final que quase esvazia o filme, Indomável Sonhadora estabelece um universo incrível, mas é cheio de platitudes e tem uma curva dramática muito batida, Lincoln não é verossímil e O Lado Bom da Vida não tem nada demais.

Melhor Roteiro Original

Quem deve ganhar: A Hora Mais Escura

Quem eu prefiro: A Hora Mais Escura

Faltou alguém?: O Mestre

Aqui a brincadeira é outra. Exceto O Voo, que é bem irregular, são todos excelentes roteiros. Mas eu fiquei muito impressionado com o roteiro do Mark Boal, que conta uma história tão atual e que traz uma carga emocional tão grande com muita sobriedade.

Melhor Diretor

Quem deve ganhar: Ang Lee

Quem eu prefiro: Michael Haneke

Faltou alguém?: Paul Thomas Anderson, mas principalmente Kathryn Bigelow

Ang Lee vai ganhar porque a disputa está entre ele e Spielberg, e Lincoln não empolgou tanto quanto se esperava. Só que o trabalho do Haneke é infinitamente superior ao dos demais indicados. O austríaco tem o espectador numa mão e o filme na outra desde o primeiro plano, e conduz a história magistralmente, explorando cada ângulo do apartamento onde se passa a maior parte da trama, usando planos longos e muita ação fora de quadro, numa tentativa de nos fazer parte do de todo o cotidiano da vida dos seus personagens principais. Até entendo a injusta ausência de PTA da lista, mas não terem indicado Bigelow foi um crime.

Melhor Filme

Quem deve ganhar: Argo

Quem eu prefiro:  A Hora Mais Escura

Faltou Alguém?: O Mestre

Dá pra dividir os indicados a melhor filme em quatro grupo: os filmaços (Amor e A Hora Mais Escura), os filmes bons (Argo, Indomável Sonhadora, O Lado Bom da Vida e As Aventuras de Pi e Django) a decepção (Lincoln) e Os Miseráveis. Eu não vou me aborrecer se qualquer um dos filmes dos dois primeiros grupos ganhar. Mas como listei, Amor e A Hora Mais Escura são os melhores concorrentes da lista, e particularmente gosto mais do segundo, escolha motivada pelo meu gosto pessoal pelo argumento de cada um dele. Só que Argo é um elogio a Hollywood, dirigido por um sujeito que vem conquistando aos poucos o espaço de queridinho no meio e produzido pelo George Clooney, e essa é a receita do sucesso do filme na temporada de premiações.

O Mestre foi o filme mais injustiçado esse ano. Se indicado fosse, seria o melhor filme da lista com alguma folga.

É isso, minha gente. Dei meus palpites, minhas orelhadas e pitacos. A caixa de comentários está aberta para críticas, manifestações de apoio, debates, discussões acaloradas, discussões, choro e ranger de dentes.


A Maratona do Oscar 2013

14/01/2013

Como já é uma tradição, eu vou ver os filmes indicados ao Oscar desse ano.

Tradição que tem três anos, na verdade. No primeiro ano, o Leitor Oculto sugeriu e Tom e eu topamos ver os filmes indicados ao Oscar de melhor filme. No ano seguinte decidimos expandir um pouco e vimos todos os filmes mencionados nas seguintes categorias: filme, diretor, ator e coadjuvante, atriz e coadjuvante, roteiros originais e adaptados, montagem e fotografia.

Esse ano fomos mais ousados e decidimos incluir na lista anterior figurino, direção de arte, maquiagem, efeitos visuais e filme estrangeiro.

São 32 (trinta e dois, isso mesmo) filmes para ver em 46 dias (período que vai do dia da indicação ao dia da premiação). Ok, alguns desses eu já tinha visto, foram lançamentos do último verão americano, ou mesmo filmes que chegaram por aqui agora.  A lista de todos os filmes que vou assistir está aqui, numa planilha que eu montei de todo o coração para quem quiser usar como guia.

A grande alegria desse ano é que a maior parte dos filmes indicados nas categorias principais poderiam ser vistos no cinema, que é lugar de ver filme.

Bem, na lista aí eu já tinha visto Os Vingadores, Prometheus, Skyfall, O Hobbit, Espelho Espelho Meu e As Aventuras de Pi no cinema, antes mesmo de sair a lista de indicados.

Aí assim que saiu a lista, eu me antecipei em ver os filmes que já estavam em cartaz ou que já tinham saído das salas. Então entre o dia 10/01 e o dia 17/01, eu pretendo ver 12 filmes. No momento em que publico esse post, já foram seis.

Ao longo da maratona eu devo escrever sobre um filme ou outro. Até gostaria de escrever sobre todos, mas umas porcarias tipo Branca de Neve e o Caçador não merecem o esforço. Mas prometo que, se não escrever sobre cada um individualmente, faço um texto falando de cada um dos nove indicados a melhor filme.

Agora vocês me dão licença, porque eu tenho uns filmes pra assistir.


As sinopses óbvias

09/01/2013

Ainda sobre O Som ao Redor, me peguei pensando no quão óbvia a sinopse que foi veiculada é. Imagina se a moda pega:

O Senhor dos Anéis – A Sociedade do Anel: a presença de um Anel mágico deixado de herança por seu tio vai mudar a vida de um hobbit…

Janela Indiscreta: após quebrar a perna, fotógrafo passa a espiar os vizinhos e vê sua vida mudar ao testemunhar aquilo que acredita ser um assassinato…

Ben-Hur: após ser traído por seu amigo, Ben-Hur vê sua vida mudar ao ser feito escravo…

E o vento levou…: quando começa a Guerra de Secessão, jovem sulista de origem abastada vê sua vida mudar…

Tentem vocês também e deixem aí na caixa de comentários.


O Som ao Redor

08/01/2013

Quem são seus vizinhos? Quem faz parte da comunidade que te cerca? Como ela foi formada? Como cada uma das pessoas que mora ao seu redor chegou até aí? São perguntas difíceis de serem respondidas, né? Então vou sacar uma que vai ser bem mais fácil de responder: como seus vizinhos te afetam?

O Som ao Redor (Brasil, 2013) mostra o dia da comunidade, mas não como entidade única e orgânica, e sim como uma colagem de pessoas diferentes que vez ou outra interferem ou sofrem interferência do microcosmos ao seu redor. Nesse sentido, dá para dizer tranquilamente que o ritmo como a história é conduzida, com seus planos longos e contemplativos trabalha muito bem para entramos no cotidiano da dona-de-casa ordinária que tem no cachorro do vizinho seu algoz, ou na vida do corretor de imóveis por força das circunstâncias. Vale ressaltar também a primorosa edição de som, que faz do silêncio ou dos pequenos ruídos elementos fundamentais para a construção de um cotidiano onde aparentemente nada acontece.

Sim, o cotidiano dos personagens é aparentemente estático, monótono. Como na vida real, reviravoltas não acontecem o tempo inteiro, como as pessoas esperam que seja num filme. Em O Som ao Redor as vidas seguem seus cursos esperados, cada qual com sua cadência lenta. Mesmo o surgimento da milícia, que a sinopse do filme trata como o ponto de virada na trama, em pouco afeta o dia-a-dia daquelas pessoas, que seguem suas vidas pacatas, envolvidas com seus próprios problemas.

Muito bacana ver um filme com tamanho apuro técnico (e me perdoem o ufanismo, mais legal ainda ele ser brasileiro). Um fotografia lindíssima, que contribui para a construção de planos impressionantes, sóbrios, mas tão cheios de beleza e força, que me arrisco a dizer que o filme não tem nenhum plano desnecessário ou descartável.

Tremendo filme, muito feliz na ideia de mostrar o indivíduo a partir do coletivo, para voltar a inseri-lo no coletivo. Realização muito feliz do cinema pernambucano e candidato desde já a melhor filme nacional do ano.

Cotação: 7 de 7 cachorros latindo.

Um adendinho: tô até agora tentando entender a sinopse “A presença de uma milícia em uma rua de classe média na zona sul do Recife muda a vida dos moradores do local. Ao mesmo tempo em que alguns comemoram a tranquilidade trazida pela segurança privada, outros passam por momentos de extrema tensão.” Hein?!

 


Ano para estar em paz

02/01/2013

Amigos, em meados de 2010, o blog ficou movimentado em função de pequenas ofensas que eu e Felipe Neto trocamos no Twitter. Foram milhares de visitas de fãs dele, me ofendendo gratuitamente na maior parte dos casos, ou querendo discutir a manifestação do vlogueiro. O post está lá para quem quiser dar uma olhadela na caixa de comentários.

 

Mas não é para trazer polêmicas das cinzas que eu estou aqui. Vim para lhes dizer que no começo de dezembro estive com o Felipão, e agora tá tudo bem. Fizemos as pazes, ele confirmou que eu realmente sou gordo, e demos um efusivo abraço.

Deu até suadouro, tão emocionado que fiquei.

É isso, amigos. Vamos começar 2013 sem mágoas, sem rancores e com energia para celebrar a paz.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


SWU é pra jacu – parte 3

19/09/2012

(Se você só chegou agora, começa por aqui e depois vai aqui)

Acredito que todos têm uma habilidade latente que podemos aprimorar ao longo da vida. O Tiozão tem a incrível habilidade de falar palavrões em sequência como se fossem todos um só, mas com bastante clareza. É difícil explicar, mas posso garantir que é um negócio engraçado e curioso de se ver.

voando baixo, rumo a sabe lá onde

E foi uma sequência dessas que o careca soltou quando Silvia nos disse que no meio do breu daquela estrada distante, havíamos chegado ao nosso destino. Não esperávamos que o evento fosse na beira da estrada, mas naquele lugar não havia nenhum indicativo de que havia por ali um evento como o SWU. Foi por uma questão de fé que continuamos naquela estrada, esperando que em algum momento um romeiro a caminho de Aparecida nos mostrasse um cartaz com alguma frase de incentivo, ou nos desse um mapa.

Alguns minutos depois, avistamos do outro lado da estrada uma intensa mov imentação de veículos. Havíamos descoberto a saída, agora bastava acharmos um retorno, mas tinha um bem perto, uns 15 quilômetros a frente. Percorremos o curto trecho e paramos, já na outra pista, na movimentação que achávamos ser a entrada que levava ao SWU, mas era só uns policiais parados na estrada, decidimos perguntar se realmente estávamos no caminho certo e o escolhido para descer do carro fui eu.

Naturalmente eu desci do carro e perguntei, com meu tom de voz de bom moço e tentando atenuar meu sotaque carioca, se estávamos próximos da entrada da fazenda Maeda, o policial me encarou se aproximou de mim devagar e num flash eu vi a besteira que eu tinha feito. Enquanto o policial se aproximava eu encolhi meus ombros para me preparar para o tapa que eu levaria no pé-do-ouvido, enquanto segurei a maçaneta para deixar o policial revistar o banco de trás do carro em busca de algum flagrante. Mas como ele não era um PM carioca, apenas me respondeu que a entrada era alguns metros na frente, e me ofereceu de nos acompanhar de motocicleta.

Uns minutos na tal trilha e confirmamos, estávamos no lugar certo. Entramos na fila enorme de carros tentando entrar no estacionamento, que pelo que eu entendi no mapa ficava a 1,5 km de distância da área do show (e para você não achar que cometi algum erro de digitação vou repetir por extenso: ficava a um quilômetro e meio do lugar do show). Não bastando isso, o estacionamento custava R$ 100,00 (isso, cem reais) mas apenas para carros com menos de quatro pessoas, com a justificativa de estimular as pessoas a não irem de carro, em nome da sustentabilidade e da construção de um planeta melhor e salvar as baleias, os pandas e o boto cor-de-rosa.

Movido a combustível fóssil sustentável

No que diz respeito a sustentabilidade eu preciso admitir que no caminho até o show encontramos vários geradores movidos a diesel, que todo mundo sabe que é um combustível fóssil sustentável para cacete. Sem mencionar na sensacional caçamba de coleta seletiva de lixo, cujo critério de selação parecia ser “se é ou parece lixo, joque aqui”, verde. Fazia sentido eles cobrarem mais caro para quem foi de carro, alguém tinha que sustentar toda aquela sujeira.

Descemos do carro, ansiosos para entrar logo no evento, mas não sem antes bebermos alguma coisa para esquentar. Muito fino, Bill havia comprado duas garrafinhas de malte, uma de scotch e outra de bourbon, que saboreamos animados, ainda no carro. Tiozão trocou sua camisetinha regata do Fluminense por uma camisa de mangas compridas, enquanto eu só pensava o quanto ainda teríamos que andar.

E andamos feito camelo de beduíno, mas conseguimos alcançar o lugar do show e até encontrar nosso lugar na frente do palco. Estava tudo certo para que a noite fosse de música e diversão. Assim esperávamos.

Quando chegamos estava rolando o show do Los Hermanos, mas eu desdenhei de com força. Primeiro porque não sou membro da igreja – sim, igreja, porque só um culto explica o fanatismo fundamentalista dos fãs – e segundo porque o Los Hermanos estava em “recesso”, mas já era o segundo $how que eu ia deles depois de anunciado o “recesso”.

Tomamos uma cerveja e fui ver o Mars Volta. Óbvio que o show foi sensacional, porque eles tocaram muitas músicas do primeiro disco (meu preferido), mas principalmente porque Cedric Bixler-Zavala nos brindou com o seu vasto repertório de dancinhas, e se tratando de dancinhas podemos dizer que Cedric é o herdeiro legítimo do rei das dancinhas insanas: Pete Townshend.

Tomamos mais uma cerveja e nos apinhamos mais na frente na expectativa do começo do show da noite. Dei uma palmadinha camarada no ombro do Tiozão, num gesto de profunda camaradagem, e quando fui fazer o mesmo com o Bill, olhei fundo nos seus olhos e vi algo que fez minha mente fazer um curto retrospecto daquele dia, e o pavor tomou conta de mim.

Recapitulando: ao longo do dia Bill tomou dois litros de chimarrão (que dizem ter tanta cafeína quanto o café). Quando paramos em Itaquaquecetuba, tomamos um café e Bill ingeriu dois comprimidos de guaraná em pó, que ele empurrou com uma lata de energético. Antes de entrar no evento, Bill tomou mais um energético.

Quando olhei no fundo dos olhos do meu amigo, dava pra ver as fagulhas da sua intensa atividade cerebral provocada pela cafeína, e eu tive muito medo.